𝚃𝚑𝚎 𝚗𝚊𝚖𝚎 𝚘𝚏 𝚊𝚗 𝚎𝚡𝚝𝚒𝚗𝚌𝚝 𝚜𝚝𝚊𝚛 𝚎𝚌𝚑𝚘𝚎𝚜, 𝚌𝚛𝚎𝚊𝚝𝚎𝚜 𝚠𝚒𝚝𝚑 𝚜𝚒𝚕𝚎𝚗𝚌𝚎, 𝚜𝚑𝚊𝚍𝚘𝚠, 𝚊𝚗𝚍 𝚋𝚛𝚒𝚐𝚑𝚝𝚗𝚎𝚜𝚜.

terça-feira, 19 de maio de 2026

e eu não poderia me importar menos.




 As segundas-feiras na minha casa ficaram marcadas como o dia que recebemos uma péssima ligação, de quando tudo acabou e recomeçou. Desde então tudo mudou e nada mudou, o que é muito estranho. Não conseguimos desapegar da estranheza da nova realidade. É um vazio que ocupa um espaço imenso e não sabemos explicar a presença do nada.

Volta e meia me volta um texto da Superinteressante que li há uns 10 anos sobre como o nada, o vazio tem um peso imenso e todo o universo é feito de nada. Lembro que li fascinada, dessas coisas que agarram em você e lhe formam como pessoa.

Mas não era um texto sobre luto, era sobre o funcionamento do universo.

Num caminho pra casa, a minha playlist tocou Before we drift away (NBT) e fiquei remoendo a letra com a exata sensação de saber sobre o que a música fala, de tomá-la pra mim:

I wonder where I float to when I return to dust?
A sea to wash away the last of us
It's such a funny feeling, the world's at war again
But in this very moment
Oh, it couldn't matter less

A sensação de "O mundo estar em guerra novamente e eu não poderia me importar menos" batendo fortemente.

Tenho dívidas e eu não poderia me importar menos.

É ano de copa do mundo e eu não poderia me importar menos.

Eleições presidenciais e eu não poderia me importar menos.

Qualquer pessoa e qualquer que seja sua pauta e eu não poderia me importar menos.

Alguém não gostar de mim pelo motivo que seja e eu não poderia me importar menos.

O mundo estar em guerra e acabando e eu não poderia me importar menos.

Perdão, mas isso tá na conta do luto.

And as we sing this familiar song, I thought I'm gonna miss your love when it's gone...


2 comentários:

  1. porque no fim das contas só a gente sabe o peso que o nosso nada tem. e todo o resto vira menos que isso.

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