𝚃𝚑𝚎 𝚗𝚊𝚖𝚎 𝚘𝚏 𝚊𝚗 𝚎𝚡𝚝𝚒𝚗𝚌𝚝 𝚜𝚝𝚊𝚛 𝚎𝚌𝚑𝚘𝚎𝚜, 𝚌𝚛𝚎𝚊𝚝𝚎𝚜 𝚠𝚒𝚝𝚑 𝚜𝚒𝚕𝚎𝚗𝚌𝚎, 𝚜𝚑𝚊𝚍𝚘𝚠, 𝚊𝚗𝚍 𝚋𝚛𝚒𝚐𝚑𝚝𝚗𝚎𝚜𝚜.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Um diabinho, um anjinho e uma humana saíram pra conversar

Os passeios que tenho com o cachorro - coisa nova da minha rotina - tem sido meus momentos de conversar com meu anjinho e diabinho que ficam sentados em cada ombro.

Na conversa de ontem à noite, eu ia confessando pra ambos:

Meus momentos muito humanos não são de vulnerabilidade, são de maldade, inveja, ódio. Sou amarga, reprimida, conservadora em muitos aspectos. Egoísta num tanto também. E sabe, não me arrependo, não quero ser diferente.

O laudo do diabinho: que orgulho da minha cria 🥹

O laudo do anjinho: ô, meu bem. Vocês humanos são todos terríveis assim mesmo.
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

amor?

Quando descobri que não conseguiria fugir mais uma vez de estar enfiada numa ambulância em direção a outra cidade, chorei. Em tão pouco tempo, tudo de novo, pra o que prometia ser pior. Chorei por mim e me senti tremendamente egoísta. Eu tava correta quando pensei que seria pior. Em estrutura, em cansaço, em espera. Mas nada me atingiu tanto quando estar mais vulnerável emocionalmente.

A primeira noite foi difícil. Noite inteira andando pelo hospital abarrotado de gente por todo o chão, pessoas feridas em graus diferentes, acalmando minha vó pros mil e um exames que ela foi submetida, em algum momento da madrugada, nos deixaram na curva de um corredor semideserto e dormimos. Ela na maca, eu enrolada no chão, fazendo minha bolsa de travesseiro. A informação que me tinha sido passada nesse momento é a de que teríamos um parecer médico pela manhã. Acordei às 5h e esperei, esperei e esperei. Quase meio dia, entre as várias pessoas que subiram e desceram aquele corredor, ninguém parava pra olhar nem de lado. E aí chorei de novo e novamente por mim. Só conseguia pensar em como mais uma vez tinha sido enfiada numa situação de merda e como tão pouco controle da minha vida eu tenho. A maior parte das pessoas que passavam me ignoravam totalmente e eu seguia chorando sem controle. Um senhor parou perto de mim e disse umas palavras que me assombraram e assombram até hoje: "(...) eu queria que algum dia algum familiar me amasse o quanto você ama sua vó..."

Em nenhum momento do meu choro ou das minhas crises de ansiedade nesse local, amor foi o sentimento que me veio em mente. Raiva, ódio, impotência, medo, sim. Amor, não.

Já em casa, não pior, mas não melhor, lidando com o acelerado estado de demência que se encontra minha vó pós o AVC, eu ainda me vejo questionando que amor é esse. Eu deveria sentir? Eu deveria ter certeza? Eu sinto minha paciência sendo forçada ao limite, eu sinto um cansaço extremo - físico, emocional, mental; eu sinto meu senso de obrigação sendo esticado ao máximo, mas não sei dizer se sinto amor.

Ontem à noite, depois de uma noite extremamente cansativa e repetitiva, chorei mais uma vez e mais uma vez, por mim.
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terça-feira, 12 de dezembro de 2023

eu falando em cansaço pela 12658ª vez no ano

Apesar dos transtornos, eu tô na fase de querer ouvir notícias e informações (calma, com limites, senão o cérebro explode). Talvez essa força que me puxa pra trás me forçando a pausar toda a minha vida por terceiros faça com que eu queira me mover de alguma forma, seja da forma que for. Meu cérebro tem procurado escapes.

Aí que tava vendo um trecho de uma entrevista com a Jout Jout e ela falava sobre o repasse da carga mental do homem para a mulher citando um exemplo que era algo assim: O homem dizia "pode deixar, amor, eu faço o café. Só me diz onde está o pó" e em seguida perguntava onde tava a cafeteira, como esquentava a água... e assim, passivamente, a mulher que não precisaria fazer o café, acaba tendo que pensar pelo homem sobre o processo de fazê-lo - e em muitos casos, acaba se estressando e passando na frente e tomando para si a ação de fazer o café.

Pra exemplificar a enorme recorrência disso na vida, meu pai hoje tava saindo e a porta ainda tava fechada. Ele olhou pra minha mãe e perguntou "como vou abrir os cadeados? Cadê a chave?". Tomei a frente pra apontar que tava na porta, ali, bem na frente dele. E fui abrir os cadeados. Fui pra cozinha pra contar essa mesma história do vídeo acima, sobre como temos uma vida de sobrecarga mental por parte de homens que todo o trabalho que precisa ter é pensar por si.

Dentre os meus privilégios (desses que deveria ser um direito nato), eu tenho o de ter tido um pai presente e atuante, mas que não fugiu nem de ser um fruto do machismo e, tampouco, de sua época.

Sei como terminar esse texto? Não sei. É só um cansaço compartilhado em palavras, pra variar.
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terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Movimento

Uma colega há 3 anos, fez um diário de parto acurado e por mais que seja uma situação que eu nunca passei, me vejo pensando no texto dela algumas vezes em várias situações.

O grande foco do texto (além do nascimento do bebê, obviamente) é que um dos fatores essenciais da vida é o movimento.

Seria até ilógico pensar o porquê uma pessoa que tá sofrendo uma dor do cão iria preferir dançar que ficar parada, mas lógica do corpo é que sim, o movimento ajuda em tudo.

Num outro momento da vida, em que tive uma lesão no pescoço e muitas recomendações de repouso - que diminuíam a dor no momento, mas voltava com força depois, quando fiz fisioterapia, mais uma vez realizei de que movimento era o que me traria mais qualidade de vida.

Alonga, exercita, alonga. As dores imediatas do movimento foram substituídas pela amenidade de dores piores. Mais uma vez salva pelo movimento.

Daí, no momento de caos que anda a minha vida em que me vejo totalmente presa, atada a coisas que não consigo dar jeito, fui lembrada por esse texto de que a vida é fluida e que, mais uma vez por movimento, ela se moverá e tomará um rumo. Não à toa a vida é comparada a um rio.

Caminhando em pequenos passos, pra não cair, ainda que o chão exerça uma forte atração diária.



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É eterno, mas passa

No clima fim de ano, a necessidade que sempre bate aqui é de um faxinão - físico e virtual. Nessa, encontrei uma antiga carta de 2016 pra Keith do passado e que casou bem ler agora:

Querida eu, julho 21, 2016 · por Keith Melo

Minha vida pós-tcc vem andando em colocar ordem nas coisas que não consegui colocar nesses últimos anos – que vou desistir de contabilizar, porque está ficando bem confuso. Então pra iniciar, pensei em começar a fazer uma faxina DAQUELAS, pelo menos pra me dar conforto e limpeza visual no quarto. E, bem, nessa o que tem de coisa que vou achando, não é brincadeira.

Eis que achei um texto escrito à mão (uma versão mais porca e mais mimizenta) numa agenda de 2010 onde a jovem eu de 20 anos, achava ser o fim do mundo ainda morar com os pais e não ter livre acesso ao computador, morria por ter que voltar ao estágio na universidade e achava que a melhor solução era desistir de tudo e que morria de medo de falar.


Pois, então, precisamos esclarecer umas coisas:

Querida eu do passado,

Não se passou tanto tempo assim, mas 7 anos faz realmente muita diferença na vida de alguém. Fico feliz em te dizer que a maior parte de suas angústias, aquelas ligadas à universidade, só tiveram um fim agora. A bolsa você largou nesse ano mesmo, porque humilhação por menos de 200 reais, não precisamos mais, me abraça. Reprovação não é o fim do mundo e ser não ser a melhor aluna também não. Algum tempo depois você arrumou o estágio que te deu emprego até agora.

A divergência familiar constante, de certo modo, se dissipou. Vieram outras pessoas, problemas novos, coisas que a vida adulta exigiu maturidade e paciência. Não precisas mais achar que não usar o computador é o fim do mundo. Surpreendentemente, aquele teu desejo de trabalhar o dia inteiro sentada em frente ao computador se realizou – e não é lá grande coisa, é só um trabalho com bônus e ônus. Ainda mais surpreendente é que, apesar do vício ainda em passar muito do teu tempo em frente ao computador – agora seu e comprado com seu dinheiro – tu vais desejar passar menos tempo sentada em frente dele. Vais desejar ter mais tempo pra trabalhos manuais, aperfeiçoar a pintura e o desenho, pra leres os livros que acumulastes na estante e no kindle, e ficar no computador quando for pra algo realmente produtivo, como estudar, ver filmes, desenhar.

Por incrível que pareça, a timidez diminuiu sim, mas veio com força o aumento da ansiedade, a piora da tpm e a melancolia. Mas estás mais imponente, empoderada, respondona e cobradora de justiça frente à causas sociais. Aquelas discussões eternas em grupos te serviram pra desenvolver melhor teus argumentos. Não fazes mais isso, de discutir com desconhecidos em rede social porque vistes que isso é o mesmo que dar murro em ponta de faca. Passastes a empoderar as pessoas próximas e as que procuram tua ajuda.

Tu sentisses a vida adulta finalmente chegar, à força, em 2012. Com a morte do avô, o avc do pai, a entrada à pulso de uma pessoa no centro familiar, a chegada de um emprego de verdade. Em 2014, a morte da mãe de uma amiga de teu uma chacoalhada. Hoje, não és tão adulta, mas não és a jovem que poderia ser, o espírito que antes já estava cansado, continua, mas com um pouco mais de segurança pra ir seguindo em frente.

Não aprendestes ainda as coisas que almejastes, violão, tricô/crochê/bordado/costura, por exemplo, e agora tens menos tempo que antes, pois trabalhas como adulta que não queria ser 8h por dia, mas sem universidade tens agora as noites e a vida pela frente – te lembro que existe vida pós universidade. Em compensação, não és mais tão alienada em relação à notícias cotidianas (ou vai ver os tempos andam tão absurdos que se envolver é a única saída).

Ainda não estás totalmente desvinculada da universidade, ainda falta da entrada na documentação, colar grau e pegar o diploma (É ETERNO, MAS PASSA, LEMBRA SEMPRE), mas ainda há vida, muita pela frente. Esta que te assombrou tanto e te deu tanto sentimento ruim, ficou pra trás. Nesse meio tempo, apesar de tudo, tu desenvolvesses amizades lindas e vínculos maravilhosos com pessoas que encontrasses lá. Uma palavrinha mágica: Fotolab. Espero estar daqui a 7 anos te escrevendo sobre como o interesse de voltar a estudar em ambiente universitário tenha voltado.

E, no mais, desejar para que no futuro as grandes angústias do futuro pareçam tão pequenas como aconteceu com as tuas do passado.

Beijos, Keith.
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quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Huevember - 2023

 


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quarta-feira, 29 de novembro de 2023

maturidade

Saindo de um estado totalmente abalada do hospital onde estava com minha vó, peguei uma carona compartilhada pra casa e vim escutando todo o discurso de uma garota que ia conversando com o motorista.

Eu só queria ficar quietinha, fechar os olhos pelas duas horas de viagem e sair do pesadelo que tinha vivido nos últimos dias, mas era impossível não deixar as palavras da garota entrar na mente.

Ela falou e falou sobre a carreira promissora de economista dela. Formada pela federal, já tinha passado em empresas de rede, gerenciando e supervisando equipes e agora estava se preparando pra chefiar uma filial. Citações de texto do linkedin e frases de sabedoria enlatada rolaram à rodo. Uma vida toda programada pro sucesso.


"Eu sou muito novinha, pô, só tenho 24 anos. E eu não trabalho por qualquer 2 conto. Meu custo de vida é alto e eu vou mantê-lo com minha competência"

Também impossível não pensar na nossa diferença fechada de idade, exatos 10 anos e na nossa diferença de vida. Eu trabalho por menos de 2 contos, eu tenho uma vida toda presa, eu não tenho a liberdade, nem plano de carreira, nem plano de nada e nem nunca pude ter. Mas é curioso pensar que aqui do alto dos meus 10+ de idade, ver a inocência e prepotência da pessoa jovem que acha que a vida segue à risca o roteiro que imagina.

Perto de chegar, a fulana liga pra painho e discute rapidamente sobre ele ir num lugar específico pra ir buscá-la.


"Tenha bom senso, painho, me busque, vá".

E a independência e fortaleza da jovem prepotente encolheu tão rápido quanto o balão de ego que ela encheu.

Bateu a realidade de ser uma pessoa mais velha e pensando: ô, menina, a vida tem tanto ainda pra te ensinar. Boa sorte.

Boa sorte pra mim também.
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terça-feira, 28 de novembro de 2023

Devaneio sobre gordofobia na madrugada

Nao tenho muita paciência pra gente magra que ganha 10kg acima do peso* e acha que entende as dores de ser gordo.

Eu passei a vida inteira sendo lembrada constantemente de ser gorda. Já contei que nasci com 6kg e recebi a alcunha de “baleinha” desde o primeiro dia de vida? Pois bem, nos dias seguintes não mudou.

Foi curioso me descobrir “nem tão gorda assim”. Curioso, não, doloroso. Muitas crenças caíram por terra. E aprendi isso com outras pessoas (mais) gordas.

Descobrir que grande parte do que considerei gordofobia era, na verdade, pressão estética explodiu minha cabeça demais. Me jogou pra um limbo esquisito e demorei pra me realocar nesse local de opressão.

Hoje, quando falo de gordofobia (que não deixo de passar) falo com conhecimento de causa, mas sobretudo, com empatia por dores que eu nunca passei e me policio pra não causar dores em ninguém também.

Nunca:precisei comprar assento extra (ex.: cinema, transporte)
nem fiquei presa em ambientes que não me couberam (ex.: catracas)
quebrei assentos que não comportavam meu peso e/ou me machuquei em assentos pequenos por não caber
fui impedida de realizar algum procedimento de saúde (ex.: máquinas que não me comportavam ou remédios que não atingiam o efeito necessário impedido pelo peso)

Mas já:não encontrei roupas que coubessem ou comprei a única roupa que havia porque gordo também se veste
fui xingada na rua gratuitamente mais de uma vez
questionaram minha capacidade de trabalho, mais de uma vez
cogitei não sentar em assentos com receio de não me comportarem (cadeiras de plástico, essas malditas)

Ter papada, barriga, coxa grossa, braço grosso, etc etc não te causa opressões gordofobicas, mas pressão estética - que todo mundo (todo mundo meshmo) passa.

É tudo uma merda, eu sei. Mas believe when I say que gordofobia doi em outros lugares. Por aqui é um arranhão, tem gente que é uma facada funda que atravessa.

Não digam que doi quando não dói.

*Segundo o IMC.
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segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Prisão

Aquela sensação de prisão e imobilidade que atingiu todo mundo com a pandemia talvez tenha me pego menos quando eu percebi que grande parte desse estado já era o meu normal. Foi quase um "opa, galera, sejam bem-vindos ao meu habitat. Sentem-se, venham fazer pão e aprender a bordar comigo."

O senso de urgência que as pessoas sentiram na pandemia, também me pegou, mas numa primeira vez na vida e eu não consigo mais me livrar. A diferença é que as pessoas voltaram pras suas atividades de antes, eu tenho que me adequar com o desejo reprimido dentro da prisão mesmo e não aprendi. Isso me derruba, me deprime, me tira a energia.

Deixei escapar um suspiro alto esses dias, "a vida tá passando rápido demais e eu não fiz nada dela. Não tenho nada, tô indo pra lugar nenhum" e minha mãe concordou. Acho que não doi só a constatação de estar presa, mas o conhecimento e acordo dessa prisão das pessoas que eu sou responsável. Vi mulheres da minha família em reunião recentemente e não quis fazer parte dela. Esse legado de cuidado é algo que estou presa e nunca escolhi.

Ser mulher é uma merda.
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sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Rapidinhos







 




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sábado, 4 de novembro de 2023

estou cansada

Sinto que aos poucos a cantinela repetida "estou cansada" vai se tornando tão habitual que ninguém mais leva a sério, soa até como exagero. Ao mesmo tempo em que mais e mais carga vai sendo atribuída às costas.

"Deus não dá uma carga maior do que a gente pode sustentar" me disseram isso esses dias, pro meu desgosto, no quão rebati "pois ele está me dando" pro desgosto da primeira pessoa.

Não existe um lugar qualquer em que se olhe, em que se peça socorro com os olhos, que seja compreendido. A resposta que sempre volta é "é a sua carga", mas não deveria.

Muitas metáforas me passam pela cabeça e me sinto cansada até de desenvolver cada uma delas.

Muito.

Em contraponto, todo o cansaço tem vindo com uma potente vontade de criar, de me mexer, de sair do lugar - ainda que não tenha conseguido espaço hábil pra isso. Vontades que antes estavam adormecidas, voltaram e me colocaram em movimento. Fazer um blog, trabalhos manuais, voltar a desenhar regularmente. É um ciclo que não sei como lidar e corro tentando como resolver tudo.

Apesar do cansaço. 🔄
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terça-feira, 31 de outubro de 2023

Kinktober - 2023

 Primeiro ano que aderi ao Projeto Kinktober como desafio de desenho de outubro e, assim, eu amei.

Alguns dos meus desenhos favoritos do ano:


CW: contém nudez e atos sexuais. Entre por sua conta em risco.

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amadurecimento

Há alguns poucos anos era totalmente improvável que a eu adolescente tivesse coragem e principalmente tranquilidade de lidar com situações de mínimo confronto, de abordagem interpessoal, de autonomia.

Tudo que fiz, num período zumbinesco, foi plenamente movido a subserviência, abnegação e tentativa de agradar outros.

A Keith adulta pós-30 tem experimentado situações de autodescobrimento tão refrescantes quanto perturbadoras, sem perder a cabeça, que tem causado surpresa tanto a mim, quanto aos que me rodeiam.

A gente cobra o tempo todo amadurecimento pós os vent'anni, mas coisas que ninguém te conta é que esse sentimento e construção nunca para de chegar, ele só vai ficando mais fácil de lidar porque deixa de ser desconhecido.

Tem sido pertubador, mas refrescante. E apesar da vontade de morrer, habita também a vontade de viver e isso é novo e interessante, por ora.
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Dia

Minha nova rotina consiste em levantar, tomar banho, me arrumar e sair com o cachorro pra passear. Em dias de estresse, sair com ele é um enorme contratempo. Em dias, digamos, bons, dá pra aproveitar o caminho.

E aí quando paro pra observar meu caminho eu lamento não conseguí-lo mais. Tenho a sorte de morar num lugar arborizado, tranquilo, espaçoso. Mal conservado, mas tem seu charme. Os pedregulhos deformados pelas raízes do calçadão dão uma sensação íngreme de um caminho antigo. No caminho, vizinhos colocam xerém pros passarinhos - e tem muitos deles, pardais, anuns, rolinhas - e é prazeroso de vê-los, primeiramente comendo e em seguida tomando banhos de areia. Mais a frente, as árvores antigas se curvam e se encontram formando algo similar a uma clareira que sempre me invoca a vontade de abrir uma cadeira de praia, sentar de pernas cruzadas com um livro ou um cavalete com uma pintura em andamento e deixar o tempo passar. Nessa época, o tempo vai esquentando e as pequenas folhas vão caindo e formando um caminho amarelinho pontuado com algumas folhas laranjas de outras árvores e algumas flores de outros pequenos pés. À noite, saindo com ele pelo mesmo caminho, a luz em desfoque no chão é substituída por um caminho escuro, mas ainda pontuado de folhas secas no chão que cantam quando pisamos em cima e os passarinhos são substituídos por morcegos dando voos rasantes à frente. Eu, que gosto de uma estética macabra, fico encantada.

Poderia me maldizer dos problemas da vida, mas é uma boa distração, é adorável e me faz desejar tanto, tanto uma vida mais tranquila onde tais coisas não passem de um borrão da correria diária.
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quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Reflexão sobre sorte



Eu nunca me considerei uma pessoa de sorte. Talvez tenha escapado de algumas situações com golpes sortudos, mas de sorte, não, nunca. Mas em muitos momentos eu me considerei pessoa de má sorte, que eu chamava de azar antes de passar por azar.

Sempre fui uma pessoa que coloquei emoção demais nas coisas, sofri demais, canalizei o ser canceriana pela essência do canceriano, o sentir, e pelas vezes que não senti o quanto deveria sentir, me achei uma fraude. Mas sobre a sorte, começo a pensar sobre o andamento das coisas de 2020 pra cá e tento pesar: não foram anos bons. Foram neles que passei a ver o copo meio cheio para meio vazio? Quantas vezes, especialmente nesses últimos 3 anos não bateu a sensação “nossa, mas por quê eu?”, “por que essas coisas só acontecem comigo?”, “acho difícil que as outras pessoas sofram o tanto que eu sofro?” mesmo que involuntariamente. Lutar contra esses sentimentos, penso, ser uma luta de muita gente e, como gente, eu também caio nessas armadilhas.

Mas ainda acho curioso o meu carma imediato e aí que sempre morou a minha desesperança de ser uma dita pessoa sortuda ou fugir da linha e contrariar o universo.

Em 2023, com retomada de um governo sensato, tenho tentado voltar a ver o copo ser meio enchido e ver as coisas com mais leveza que me impus nos últimos anos. Preciso, muito, respirar leve. E refletindo sobre a música Life’s gonna kill you (if you let it), me pega demais que, sim, todas as vezes que deixei a vida me matar, eu deixei e não estou disposta a deixar novamente.

Outra coisa também importante que a música me trouxe, foi que eu preciso de parar de achar que o carma imediato, que as faltas de sorte cotidianas são um complô para uma vida ruim. Eu preciso usar das armas que tenho, com a força e energia que tenho para fazer minha vida funcionar. Minha vida só vai me matar se eu deixar e este ano não estou disposta a deixar.

I gotta be honest you have to find solace you gotta find something in what you've got and don't got


 

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sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Sketchtember 2023

 















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segunda-feira, 23 de janeiro de 2023


 

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domingo, 8 de janeiro de 2023


 

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