𝚃𝚑𝚎 𝚗𝚊𝚖𝚎 𝚘𝚏 𝚊𝚗 𝚎𝚡𝚝𝚒𝚗𝚌𝚝 𝚜𝚝𝚊𝚛 𝚎𝚌𝚑𝚘𝚎𝚜, 𝚌𝚛𝚎𝚊𝚝𝚎𝚜 𝚠𝚒𝚝𝚑 𝚜𝚒𝚕𝚎𝚗𝚌𝚎, 𝚜𝚑𝚊𝚍𝚘𝚠, 𝚊𝚗𝚍 𝚋𝚛𝚒𝚐𝚑𝚝𝚗𝚎𝚜𝚜.

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Huevember - 2023

 


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quarta-feira, 29 de novembro de 2023

maturidade

Saindo de um estado totalmente abalada do hospital onde estava com minha vó, peguei uma carona compartilhada pra casa e vim escutando todo o discurso de uma garota que ia conversando com o motorista.

Eu só queria ficar quietinha, fechar os olhos pelas duas horas de viagem e sair do pesadelo que tinha vivido nos últimos dias, mas era impossível não deixar as palavras da garota entrar na mente.

Ela falou e falou sobre a carreira promissora de economista dela. Formada pela federal, já tinha passado em empresas de rede, gerenciando e supervisando equipes e agora estava se preparando pra chefiar uma filial. Citações de texto do linkedin e frases de sabedoria enlatada rolaram à rodo. Uma vida toda programada pro sucesso.


"Eu sou muito novinha, pô, só tenho 24 anos. E eu não trabalho por qualquer 2 conto. Meu custo de vida é alto e eu vou mantê-lo com minha competência"

Também impossível não pensar na nossa diferença fechada de idade, exatos 10 anos e na nossa diferença de vida. Eu trabalho por menos de 2 contos, eu tenho uma vida toda presa, eu não tenho a liberdade, nem plano de carreira, nem plano de nada e nem nunca pude ter. Mas é curioso pensar que aqui do alto dos meus 10+ de idade, ver a inocência e prepotência da pessoa jovem que acha que a vida segue à risca o roteiro que imagina.

Perto de chegar, a fulana liga pra painho e discute rapidamente sobre ele ir num lugar específico pra ir buscá-la.


"Tenha bom senso, painho, me busque, vá".

E a independência e fortaleza da jovem prepotente encolheu tão rápido quanto o balão de ego que ela encheu.

Bateu a realidade de ser uma pessoa mais velha e pensando: ô, menina, a vida tem tanto ainda pra te ensinar. Boa sorte.

Boa sorte pra mim também.
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terça-feira, 28 de novembro de 2023

Devaneio sobre gordofobia na madrugada

Nao tenho muita paciência pra gente magra que ganha 10kg acima do peso* e acha que entende as dores de ser gordo.

Eu passei a vida inteira sendo lembrada constantemente de ser gorda. Já contei que nasci com 6kg e recebi a alcunha de “baleinha” desde o primeiro dia de vida? Pois bem, nos dias seguintes não mudou.

Foi curioso me descobrir “nem tão gorda assim”. Curioso, não, doloroso. Muitas crenças caíram por terra. E aprendi isso com outras pessoas (mais) gordas.

Descobrir que grande parte do que considerei gordofobia era, na verdade, pressão estética explodiu minha cabeça demais. Me jogou pra um limbo esquisito e demorei pra me realocar nesse local de opressão.

Hoje, quando falo de gordofobia (que não deixo de passar) falo com conhecimento de causa, mas sobretudo, com empatia por dores que eu nunca passei e me policio pra não causar dores em ninguém também.

Nunca:precisei comprar assento extra (ex.: cinema, transporte)
nem fiquei presa em ambientes que não me couberam (ex.: catracas)
quebrei assentos que não comportavam meu peso e/ou me machuquei em assentos pequenos por não caber
fui impedida de realizar algum procedimento de saúde (ex.: máquinas que não me comportavam ou remédios que não atingiam o efeito necessário impedido pelo peso)

Mas já:não encontrei roupas que coubessem ou comprei a única roupa que havia porque gordo também se veste
fui xingada na rua gratuitamente mais de uma vez
questionaram minha capacidade de trabalho, mais de uma vez
cogitei não sentar em assentos com receio de não me comportarem (cadeiras de plástico, essas malditas)

Ter papada, barriga, coxa grossa, braço grosso, etc etc não te causa opressões gordofobicas, mas pressão estética - que todo mundo (todo mundo meshmo) passa.

É tudo uma merda, eu sei. Mas believe when I say que gordofobia doi em outros lugares. Por aqui é um arranhão, tem gente que é uma facada funda que atravessa.

Não digam que doi quando não dói.

*Segundo o IMC.
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segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Prisão

Aquela sensação de prisão e imobilidade que atingiu todo mundo com a pandemia talvez tenha me pego menos quando eu percebi que grande parte desse estado já era o meu normal. Foi quase um "opa, galera, sejam bem-vindos ao meu habitat. Sentem-se, venham fazer pão e aprender a bordar comigo."

O senso de urgência que as pessoas sentiram na pandemia, também me pegou, mas numa primeira vez na vida e eu não consigo mais me livrar. A diferença é que as pessoas voltaram pras suas atividades de antes, eu tenho que me adequar com o desejo reprimido dentro da prisão mesmo e não aprendi. Isso me derruba, me deprime, me tira a energia.

Deixei escapar um suspiro alto esses dias, "a vida tá passando rápido demais e eu não fiz nada dela. Não tenho nada, tô indo pra lugar nenhum" e minha mãe concordou. Acho que não doi só a constatação de estar presa, mas o conhecimento e acordo dessa prisão das pessoas que eu sou responsável. Vi mulheres da minha família em reunião recentemente e não quis fazer parte dela. Esse legado de cuidado é algo que estou presa e nunca escolhi.

Ser mulher é uma merda.
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sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Rapidinhos







 




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sábado, 4 de novembro de 2023

estou cansada

Sinto que aos poucos a cantinela repetida "estou cansada" vai se tornando tão habitual que ninguém mais leva a sério, soa até como exagero. Ao mesmo tempo em que mais e mais carga vai sendo atribuída às costas.

"Deus não dá uma carga maior do que a gente pode sustentar" me disseram isso esses dias, pro meu desgosto, no quão rebati "pois ele está me dando" pro desgosto da primeira pessoa.

Não existe um lugar qualquer em que se olhe, em que se peça socorro com os olhos, que seja compreendido. A resposta que sempre volta é "é a sua carga", mas não deveria.

Muitas metáforas me passam pela cabeça e me sinto cansada até de desenvolver cada uma delas.

Muito.

Em contraponto, todo o cansaço tem vindo com uma potente vontade de criar, de me mexer, de sair do lugar - ainda que não tenha conseguido espaço hábil pra isso. Vontades que antes estavam adormecidas, voltaram e me colocaram em movimento. Fazer um blog, trabalhos manuais, voltar a desenhar regularmente. É um ciclo que não sei como lidar e corro tentando como resolver tudo.

Apesar do cansaço. 🔄
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