𝚃𝚑𝚎 𝚗𝚊𝚖𝚎 𝚘𝚏 𝚊𝚗 𝚎𝚡𝚝𝚒𝚗𝚌𝚝 𝚜𝚝𝚊𝚛 𝚎𝚌𝚑𝚘𝚎𝚜, 𝚌𝚛𝚎𝚊𝚝𝚎𝚜 𝚠𝚒𝚝𝚑 𝚜𝚒𝚕𝚎𝚗𝚌𝚎, 𝚜𝚑𝚊𝚍𝚘𝚠, 𝚊𝚗𝚍 𝚋𝚛𝚒𝚐𝚑𝚝𝚗𝚎𝚜𝚜.

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

BEDA | Sobre leituras da semana

Terminei com basicamente uma semana de folga o livro do clube presencial que participo, o A casa dos espíritos da Isabel Allende e ainda quero pausar a cabeça pra conseguir escrever sobre. Foi uma releitura, na verdade, que amei revisitar, apesar de todas as dores contidas no livro. E pra dar conta da quantidade de páginas dentro do tempo hábil, me dividi entre 2 kindles - um em casa, outro na bolsa - e o audiobook, mesclando esses dois últimos em trajetos andados, ubers e filas de espera. Foi definitivamente uma experiência. 

Ao mesmo tempo em que quero tempo pra pausar, sou empurrada pela minha fila de leitura e afazeres e já pulei pro próximo. Aliás, pros dois próximos. 😳

Há umas semanas que tenho sido cercada por indicações de leitura de A casa dos Budas Ditosos (percebendo aqui um padrão de leitura de "A casa dos..."). Já joguei no meu kindle novinho - que não sei se falei por aqui, mas ganhei um kindle de aniversário e ainda estou fofa e feliz, levando em conta que o meu idoso paperwhite já mostra sinais de cansaço. E tava vendo uma oportunidade de começá-lo unida à urgência de livros da TAG chegando e eu sem conseguir inserí-los na minha fila. Bateu a culpa. Vi elogios a um dos últimos, o A correspondente, da Virginia Evans e considerando ser um romance epistolar e, supostamente, fácil de ler, catei pra me acompanhar nas noites antes de dormir.

Vi um vídeo da Fernanda Torres, que tá em cartaz com a peça, anunciando que vem pra Recife e me contorci toda de vontade. Olhei pras datas, numa quarta e quinta-feiras de começo de mês.
Eu no interior do estado em plena semana de trabalho faço o que? Xinguei o trabalho, o ter que trabalhar, o horário comercial, o não existir de férias, a falta de dinheiro e de possibilidade de mandar tudo a merda. 

Me sobrou o livro. Catei minha camisa rosa da Fernanda Torres, porque nas quartas vestimos rosa, meu kindle com o dito livro e comecei a ler a caminho do trabalho. E não é que o prefácio também é escrito pela querida? Já começa delicioso. E, confesso, já me pegou mais no prefácio que as 40 páginas lidas de A correspondente.


Eu, minha camisa surradíssima do Oscar passado e meu kindle novinho

E, falando em livros, amanhã tem o evento Encha seu Kindle. Pois, porque não encher mais a fila já imensa de mais livros, não é mesmo?


Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS, criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. Esse é um tema de agosto (BEDA 2026 - Guardiões da Blogosfera) E é possível ler o que a galera anda escrevendo por aqui.

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quarta-feira, 29 de julho de 2026

[tag] 2026.1

Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS, criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. Esse é um extra de julho (Resumo do primeiro semestre).

(sobe o letreiro, fim de filme).

Os últimos anos têm sido um avalanche de emoções, mas não tanto quanto esse que chegou me derrubando já em janeiro. Eu tentei não enxergar o que o ano anunciava já na virada, tentei achar que seria um ano tranquilo, mas de janeiro a abril, com os esforços, pioras, sobrecargas e a morte do meu pai, tudo virou um borrão. 

Eu consigo pontuar coisas que consegui fazer, como leituras, mas até abril, é o máximo que consigo fazer. Porque foi na leitura que consegui um pouco de alento quando não conseguia dormir em enfermarias caóticas e cadeiras de plástico. Era a suspensão da minha mente de um lugar terrível pra outro lugar que só existia naquelas páginas e que, principalmente, não era a minha realidade.
O resto se resume a dores e sofrimentos que nem me sinto preparada pra entrar no app de fotos e explorar pra relembrar. Porque elas são o resumo de dias onde vivi no hospital, compartilhava de sofrimentos e crises de ansiedade e ansiava por uma normalidade mínima urgente.

Balanço de livros do primeiro semestre

Eu tinha colocado como meta anual 14 livros. Juntando com HQ's, já se vão 20. E são eles:

  • O perigo de estar lúcida, da Rosa Montero. Maravilhoso, fiquei desejando ler outras coisas dela. Vim do ano passado com essa sensação constante de que se meter com arte é ter os dois pés enfiados na loucura e com esse livro eu me senti validada. 
  • A empregada, da Freida McFadden e, na minha percepção, ela é a Raphael Montes "deles". Boas premissas, desenvolvimentos fracos. Não sei como não larguei a mão da Freida desde O namorado, mas eis-me aqui novamente lendo e soltando uns "pelo amor de deus, mulher". (Esse eu li logo na primeira semana de hospital em uma enfermaria muito desgraçada e acabei falando um pouco sobre aqui 
  • O avesso da pele, do Jeferson Tenório. Matador. 
  • O fantasma de Canterville, do Oscar Wilde pra cumprir minha cota de clássicos. Tô brincando. Eu não lembro em que momento em peguei a indicação desse livro como um livro de humor. Achei mediano.  
  • Abril Despedaçado, do Ismail Kadare. Esse eu tive muita vontade de ler por gostar bastante do filme. Interesse que veio ali na altura do Oscar, com filme brasileiro sendo indicado e tive vontade de expandir pro universo literário. Me peguei bastante confusa ao perceber que o livro não se passava no sertão baiano, como no filme, mas sim nas montanhas da Albânia. Prefiro o filme e ainda acho uma das melhores adaptações que já vi na vida - e isso não tem nada a ver com fidelidade, o que é um sopro muito bem-vindo. 
  • (#0.5) Rainha Charlotte, da Julia Quinn. Aqui, já tentando viver um pouco de normalidade, mesmo morando dentro do hospital com meu pai, eu acompanhei a nova temporada de Bridgerton e pra suprir as brechas e não pesar mais a cabeça, peguei os livros da Julia Quinn implorando por leveza. E fui lá pro prequel da extensa série Os Bridgertons. Já tinha visto a minissérie, gostado e achei o livro muito bonito. 
  • (#1) O Duque e eu, Julia Quinn. Comprei o box com os 9 livros, uma mini luminária de livro, ia trabalhar durante o dia e voltava à noite pro hospital, pras fraldas, observações médicas, banhos de leito, trocas de relatos, conversas silenciosas, gemidos de dores e vômitos... e minha poltrona. Amassei o livro de dormir abraçado com ele, o meu alento, o clima mais leve possível do momento. É a minha temporada favorita da série, em relação ao livro, acho que desse pro prequel é um salto de escrita. 
  • (#2) O visconde que me amava, Julia Quinn. Seguindo na fantasia acalentadora.  
  • (#3) Um perfeito Cavalheiro, Julia Quinn foi bacana de ler porque a temporada tava fresquinha na minha mente. 
  • (#4) Os segredos de Colin Bridgerton, Julia Quinn foi realmente o meu favorito porque gosto da Penelope, ainda que goste mais dela na série. Nessa fase aqui eu já estava em luto. 
  • A livraria mágica de Paris, da Nina George foi a minha tentativa de voltar a uma normalidade presencial, física. Como falei, os últimos anos foram difíceis, especialmente porque a pandemia se juntou a doenças familiares no meu isolamento social. Esse livro foi a indicação de um clube de leitura presencial que resolvi participar e, apesar de não ter gostado tanto assim da leitura, sair, encontrar pessoas, falar de coisas diferentes de doença e problemas foi um grande alívio. Grandessíssimo alívio. O livro vai por uma premissa que gosto bastante, mas se desenvolve, ao meu ver, de uma forma bastante pretensiosa. Salvei poucas coisas do que li.  
  • @mor, do Daniel Glattauer acabou sendo uma boa surpresa. Confesso que por nome e capa seria uma leitura que eu nunca faria, mas surgindo como indicação numa conversa e vindo de uma pessoa especial, eu dei chance e acabei devorando. É um livro leve, fácil, rápido de ler. Um livro que instiga a querer saber como continua, como uma boa fofoca, que faz querer acompanhar os personagens, querer saber mais da vida deles, especialmente estando você mesma em posição similar ao dos personagens com a pessoa que indicou. Enfim. Me trouxe uma boa companhia e boas reflexões. 
  • Soppy, da Philippa Rice foi meu primeiro HQ do ano e feliz com a mudança do BibliOn, o meu lugar favorito de ler HQs. Confortável, gostoso e deixa uma vontade gostosinha de se apaixonar e ter um canto pra compartilhar um amor. 
  • (#1 - #6) Made in Korea do Jeremy Holt tem uma boa premissa, especialmente em tempos de discussão de ética sobre IA, mas acho que se perdeu ao tentar abraçar o mundo fazendo uma salada de outras questões éticas. 
  • Emmi e Leo - A sétima onda, do Daniel Glattauer porque o outro lá, o @mor acabou fazendo tanto sucesso que o autor voltou pra continuar a fofocaiada e suprir nossa necessidade de um amorzinho à distância. Engoli também e terminei com saudades. 

A segunda leitura do clube do livro escolhida foi A Casa do Espíritos, da Isabel Allende, que eu já li, mas que tô animada pra reler.

Tentando seguir a vida, algumas outras coisas boas que marcaram esse primeiro semestre:

  • Clube do livro presencial;
  • Ter aberto a minha lojinha pela Penca, a Feito por Kiff. Acho um tanto emocionante ver minha marca impressa nos peitos de pessoas que gosto tanto;
  • Estar trabalhando bastante em testes e preparações pra abrir uma outra lojinha, mas focada mais em papelaria e adesivos, a priori e, de fato, produzidas por mim. Estou animada e confiante, ainda que com medo, mas encantada com as possibilidades;
  • Ter estreitado laços e conseguir me sentir amada por pessoas à minha volta;
  • Colocar a vida pra frente com pequenas reformas na casa e conseguir manter, ainda que no aperto, a casa sendo a principal provedora. 
Quem sabe, lá no balanço do fim do ano, a vida dê uma trégua e eu consiga até fazer um mosaico de fotos. Por ora, é isto. Pisa no freio, 2026.

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segunda-feira, 27 de julho de 2026

[Tag] Todo hobby é uma porta

Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. Esse é o de julho (Um passatempo antigo, algo que você gosta de fazer atualmente ou até comece um novo).


Falar de hobbies é entrar num caminho longo por aqui, como entrar num labirinto que vai mudando o caminho enquanto você o adentra. Porque, olhando para trás, percebo que nenhum hobby ficou parado no tempo. Todos foram mudando de forma e acabaram construindo quem eu sou hoje.

Mas vamo lá voltar ao início quando a Keith menor foi estimulada a desenhar e criar com diferentes materiais? Bora. E a ler? Também! E a varar madrugadas ou se recusando a ir dormir enquanto assistia filmes com o pai? sim! E quando familiares ensinaram despretensiosamente a tricotar e crochetar? Vamosss.

E aí vou me segurar pra falar apenas dos antigos sem deixar que os novos, ainda que uma coisa ligue a outra, atropelem. Porque hobby is my passion.


Leitura

Como comentei em outro texto, minha mãe gosta de contar que eu e meu irmão aprendemos a ler com 3 anos de idade. E vendo esse interesse desde pequenininhos, ela sempre estimulou com gibis da turma da mônica e do Pato Donald, que amávamos; Também eventualmente pegava livros infantis na revista da Avon, que era revendedora além de comprar enciclopédias e ter assinatura de revista como Recreio. Eu amava.

Era super ratinha da biblioteca da escola e também da cidade. Na escola, fiz amizade com a bibliotecária de e ela me indicava leituras. Tenho livros favoritos ainda dessa época, como David Copperfield e, suspeito, que foi bem aí que desenvolvi meu gosto pelo gênero bildungsroman. Já a antiga biblioteca daqui (da cidade que ainda moro) era um dos meus lugares favoritos da adolescência. Correr pra lá com meus amigos de escola e ficar perambulando entre os corredores, com cheiro de livro velho e com aquelas janelas imensas, mas que ainda fazia entrar uma luz enviesada, me dava um sentimento de tardes infinitas que nunca mais recuperarei.

Também tive uma adolescência inundada de revistas que minha madrinha nos dava. Super Interessante, História, Mundo Estranho, eu amava tanto.


Algumas professoras do meu irmão sabia do nosso gosto por leitura e, vez em quando também nos emprestava alguns. Lembro que foi aí que tive acesso a Paulo Coelho.

Meu irmão também chegou a imprimir livros na impressora do estágio pra ler em casa e pegar livros na faculdade pra mim.


As vezes eu ia pra cybercafés só pra baixar inúmeros pdfs, encher pendrives de livros e organizar pastas por gêneros ou passava horas lendo no computador sem internet e na rua pelo celular.


A possibilidade de adentrar vários espaços inacessíveis, conhecer várias pessoas e viajar sem sair do lugar, muitas vezes varando a madrugada a luz de lanterna ou levando o kindle pra ultrapassar fronteiras e desafios comigo pra me sustentar nos momentos mais difíceis, não tem preço. A leitura me salvou, salva e, espero, sempre salvar.


Sigo me organizando lá pelo Goodreads


Filmes


Assim como o cinema.
Em momentos de maior tempo livre, eu basicamente assistia um filme por dia. Com muita saudade dessa época. Apesar de amar leitura, sempre achei que nunca consegui chegar tão perto de viajar sem sair do lugar como quando assistia filmes. Atribuo isso, talvez, ao fator de ter um grau de afantasia meio alto que não me deixa visualizar claramente imagens na mente e sinto que adaptações da literatura é o complemento perfeito para conseguir o mais próximo de enxergar mentalmente.


Meu pai amava filmes. Na infância, eu só ia dormir quando ele ia dormir e me carregava pra cama. Filmes de kung fu, quebradeira e faroeste eram os seus favoritos e, ainda que meu gosto não tenha seguido por esse caminho, foi o meu grande começo. Ele se encantava sobre como os filmes eram feitos e consumia muitos DVDs piratas e passava os dias assistindo além de falar com carinho de frequentar os cinemas de rua que existiam em Caruaru.

Na adolescência, só com acesso a televisão de sinal aberto, o meu ponto alto do ano era a divulgação de grade de filmes do ano da Globo, assim como amava to-dos os programas de filmes, da Sessão da Tarde ao Corujão. Varei muita madrugada ligando pro 0800 do Intercine pra votar em qual seria o filme do dia seguinte.

Era frequentadora semanal da locadora, gravei muito filme em VHS da tv, frequentei muito cinema de rua - não muito adepta dos cinemas de shopping, apesar de amar o ambiente - e muito adepta de acompanhar premiações.

Hoje em dia continuo amando, mas conciliar obrigações de vida adulta com o gosto por cinema tem sido complicado. Não mais um por dia, mas sinto encaixando alguma viagem cinematográfica no meio da semana.



Sou apaixonada em organizar listas e vistos lá pelo Letterboxd


Manualidades têxteis

Uma forma de otimizar o tempo e fazer duas coisas ao mesmo tempo é fazer um crochê ou bordado enquanto assisto algo fácil de entender. Aí, confesso que me jogo mais nas séries que em filmes, que não me perco no contexto caso eu precise tirar os olhos da tela de tempos em tempos.


É sintomático que hoje em dia pra conseguir manter tantas coisas eu acabe fazendo várias ao mesmo tempo e reclamando depois que a mente está cheia e exausta, mas, sendo sincera, acho a conciliação dessas duas coisas ainda gostosa de fazer.

Quando criança, aprendi com familiares pontos básicos e preferia até o tricô, mas era péssima (me faltava acesso) pra conseguir construir peças de cabeça. Com minha prima, desenvolvi mais o crochê, porque ela aprendia em outro lugar e me ensinava. Acabei retomando recentemente, agora com acesso (beijos, internet), seguindo tutoriais e me desafiando a começar e terminar peças, a presentear pessoas, a fazer peças de roupa pra mim. E amo cada uma delas e tenho uma lista de coisas mais que ainda quero fazer e aprender.


E com o bordado, o que seria mais se não uma extensão da pintura? Já na faculdade de design, vendo as mil possibilidades de aplicação, comecei a fazer meus primeiros testes. Durante a pandemia foi quando mergulhei e expandi possibilidades com pedrarias, pontos diferentes, texturas diferentes. Sempre gostei, na pintura, de testar materiais diversos e vi uma grande porta pra isso no bordado, podendo juntar os meus desenhos, o meu universo, também nos tecidos.

O que também requer tempo e, apesar de amar todos os meus hobbies - esses que se mantiveram, e também os novos, eu preciso escolher minhas lutas. 

Esses foram alguns dos resultados de muitos, diversos bordados que fiz, aplicando ilustrações no tecido durante o desafio de outubro chamando Stitchtober:

Bordado feito para o desafio mensal Stitchtober, baseado na obra literária "Serpentário".

Bordado feito para o desafio mensal Stitchtober, com elementos tipográficos baseado em O senhor dos Aneis.

Bordado feito para o desafio mensal Stitchtober, baseado na obra literária "As águas-vivas não sabem de si".

E algumas das minhas peças de crochê favoritas:







Desenho e pintura


Eu desenho desde criança. Uma das minhas coisas favoritas de desenhar eram croquis de roupas impraticáveis. Minha vó dizia que eu seria estilista. Mas entre roupa e gente, eu gostava mais de desenhar gente, retratos, em especial.

Retrato digital, Billie Eilish, 2021.

Retrato digital, Donna Missal, 2021.


A minha escolha por meu curso superior, quando eu achava que queria publicidade por gostar de fotografia, foi por "saber desenhar", como todo mundo dizia que eu sabia e me incentivava a escolher o design. Que, pra minha surpresa e decepção, não precisava saber desenhar pra fazer design. Mas curiosamente me abriu a mente pra interdisciplinaridade da área. Design é um mundo, é tudo, é lindo. O mercado é uma bosta, mas teoricamente, design é lindo. Achava isso enquanto cursava, ainda acho agora.

Foi na faculdade que entendi que não sabia desenhar coisa nenhuma. Também lá que aprendi a pintar, do basiquinho, lápis de cor, pro digital. Foi por lá que passei a ver o porquê nunca tive um hobby de cada vez, porque eles sempre conversaram entre si.

A leitura me ensinou a imaginar histórias que mais tarde desenhei. Os filmes me ensinaram luz, enquadramento e narrativa. O desenho encontrou o bordado. O bordado encontrou a curiosidade pelo têxtil. O crochê me ensinou a paciência e persistência de fazer e refazer.
Cada interesse puxou o próximo como quem segura a mão de alguém num corredor escuro.

Talvez seja por isso que eu nunca consiga responder quando perguntam qual é o meu hobby favorito. Eles não competem entre si. São maneiras diferentes de alimentar a mesma curiosidade que me acompanha desde criança. E, sinceramente, espero sempre me deixar correr por ramificações novas e nunca deixar de encontrar um novo caminho dentro desse labirinto.

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sábado, 6 de junho de 2026

Paisagens que construí sem perceber

CW: excesso de metáforas.

Há algumas semanas eu venho tendo um incômodo sobre o excesso de consumo e conteúdo. Nos últimos anos, como recorro a comentar, passei muito tempo presa apenas na absorção de conteúdos e na vontade de fazê-los devido a recorrências hospitalares e cuidados aos meus. Agora que me encontro com mais tempo considerável disponível, quero atirar para todos os lados, realizar tudo, mas ainda me encontro insegura na realização e presa no consumo.

Não que eu ache que consumir conteúdo seja ruim, longe disso. Eu amo consumir bons conteúdos e vê-los crescer em mim como referências. Amo ver gente compartilhando um pouco de si, de forma autêntica. Amo a troca de bagagens de vida. No entanto, o desafio de se propor a realizá-los, apesar de gostoso, é um desafio. Requer tempo, disposição, dinheiro e coragem de errar. Consumir sempre será mais fácil.

Daí nessa movimentação de se colocar na ativa, tenho ficado imersa na colagem de papeis em cadernos velhos diversos, entrei num clube de livro presencial, rediagramei e atualizei este blog, tenho organizado melhor meu listography com coisas que tavam enevoando a minha cabeça e sem um destino de organização certo. Também organizei minhas listas do letterboxd por cores e tenho atualizado coisas relativas à abertura da minha lojinha. Preciso ainda atualizar meu Notion que, modéstia à parte, já acho belíssimo.

E aí me deparei esses dias, no equilíbrio de consumo de conteúdo alheio, com esse texto que fala sobre a construção de Jardins Digitais e minha cabeça deu várias pequenas explosões ao perceber que nessa divisão citada entre sementes, árvores e frutos, eu já venho catalogando sementes e plantando-as há muito, muito tempo sem perceber ou sem pretensão de construção de um jardim ou da ordem que deve ser.

https://agapysjournal.substack.com/p/consumir-como-artista-construindo

Pensei ser só uma viciada em organização digital e esse sentimento veio muito à tona quando conheci o Notion. Organizá-lo, concentrando minhas referências num canto só, foi extremamente satisfatório. Ali, eu já estava na construção do meu jardim sem perceber. Quando resolvi organizar minha estante de livros por cores, percebi que não era só uma questão digital e o sentimento se consolidou no processo de organizar pedaços de papel no junk journal e colá-los por tipos de cores, de texturas, de formatos. 
Pra todas as vezes que desejei uma penseira, eu fui lá e construí uma. Ou várias. Me identifiquei como uma curadora cromática e entendi que todas as minhas coletas não eram desvios de atenção ou procrastinação, como tantas vezes julguei, mas parte da minha identidade o tempo todo.

E fiquei pensando sobre o que envolve ser um curador. 
Minha cabeça fez muito trocadilho entre "curar arte me cura" e "cura.dor". Bregas? sim, mas eu gosto porque fazem sentido pra mim, ☺e imagino que o processo de ser curador de referências seja inerente a manter atividades criativas. Afinal, o que seria da nossa bagagem sem as coletas de sensações e olhares, leituras e consumos, sabores e sentimentos? Pegar fragmentos diversos, interligá-los, achar conexões que façam sentido.
Passar a vê-las como sementes é que passou a ser especial, porque percebo que criei pontes de sensações ao longo de muitos anos que, olhando agora do alto, fazem sentido na construção de uma identidade que é minha. Eu organizo pra compreender, eu compreendo um sistema pra me organizar.
É, de fato, mais que um jardim, como é citado no texto, mas um ecossistema.

E é realmente um desafio expandir além da coleta e catalogação de sementes. Em um universo digital, faço um movimento de pinça e vejo a semente plantada, vejo as raízes e dou um zoom out, vejo tronco, vejo galhos, vejo folhas, zoom out e vejo um jardim, zoom out, flores e frutos, zoom out, uma floresta, zoom out...

O blog alimenta o Letterboxd.
O Letterboxd alimenta as colagens.
As colagens alimentam as ideias.
As ideias alimentam os desenhos.
Os desenhos alimenta o blog.
O Notion registra tudo.

E, no meio disso, eu vou mudando.
As plantas também.

Mas o jardim continua sendo reconhecivelmente meu.

Por isso que ao pensar no cuidado do meu jardim, eu me sinta tão incomodada sobre envios aleatórios de links e reels que nada tem a contribuir com meu espaço. Nem toda semente precisa entrar no meu jardim, prefiro eu mesma fazer a curadoria do conteúdo que me acrescenta.

Por ora, abrir a janela e olhar a paisagem que eu criei tem sido o que tenho feito de melhor.

Meu canteiro no Letterboxd;
Lá no Pinterest;
O do Cosmos (contém +18).



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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

sobre leituras e a vida

 Originalmente escrito na madrugada insone e barulhenta de 08, fev de 2026

Num carnaval passado, primeiro ano de pandemia onde tudo era  esquisito, estava lendo "As águas-vivas não sabem de si" (Aline Valek) enquanto esperava meu pai ser atendido nos primeiros curativos diabéticos dele e um trecho do livro, sobre as águas-vivas se moverem como um corpo só e conta a história de uma delas, errante, que se separa do seu "corpo" comum e passa a ter vislumbres de independência e autonomia antes de morrer, me pegou bastante:

"Agora havia ela e o mundo, a separação entre duas coisas que talvez sempre tivessem sido distintas. Como não havia reparado naquilo antes? Fazer parte de uma coisa só a havia insensibilizado para a possibilidade de que fosse una, completa por si só, e que cada ser que flutuava ao seu redor também fosse protagonista da própria história - e veio a sensação de ter uma história só dela, uma emoção inédita e um tanto incompreensível para uma água-viva. (...) Descobriu com alguma infelicidade que ser um indivíduo era também ser pequeno e sentir medo o tempo inteiro. (...)
Um observador que visse aquela água-viva aos farrapos rolando pelas ondas já consideraria grandioso ela ter chegado até ali sem ter chamado a atenção de nenhum peixe (...) mas não julgaria que ela estava disposta a viver como nunca antes. Tinha-se percebido livre, tomada pela recém-adquirida consciência de si mesma, e que arrebatadora era essa sensação, mas também sentia a necessidade de descobrir mais, de sentir o mundo mais tempo por aquela perspectiva. De repente muito mais corajosa, ela moveu seus cílios o melhor que conseguiu para se manter longe de um paredão de corais que bem poderia colocar fim em sua viagem. Escolheu não parar ali. Queria ir além.
Mas, não, quem decidia era a água (...)"

Já sentia naquela altura que aquela prisão onde me encontrava, com meu pai começando a Odisseia de feridas diabéticas, tinha similaridades com a falta de autonomia da água-viva. Era de sua natureza. Parece ser da minha natureza.

Agora em 2026, novamente em prévias de carnaval, tava lendo A empregada (da Freida McFaden) e a parte que bateu na sensibilidade foi a violência psicológica que acontece com as personagens principais que são obrigadas a ficarem presas em um quarto e, na promessa de sair, escutam repetidamente a frase "você vai sair... mas não agora" e sinto a vida me colocando nesse mesmíssimo lugar aprisionado. Quando tudo parece que tem um jeito, uma brecha, um vislumbre de regularidade, volto ao quarto, peço misericordiamente para sair e a vida responde: "você vai sair... mas não agora".

No primeiro ainda consegui traçar um paralelo bonito. É um livro que sinto ter me marcado para toda vida. O A empregada não, achei ruim, clichê, fraco e me entristece que esse é o paralelo literário que consigo fazer no momento.

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Melhores do ano 2025

Escrevendo da cama onde me encontro chumbada com uma virose, pensei que resumir o que consumi hoje é um agora ou nunca, porque amanhã a vida volta a infeliz realidade de trabalho e rotina louca de afazeres. Com pouca enrolação e pouca coragem:

Melhores assistidos de 2025:


-A ordem é por assistidos, não por favoritos
-Nem todos foram lançados em 2024/2025
-Revistos não entram na lista


1. Flow (2024) - filme, animação, Bélgica.

Indicado e vencedor do Oscar de animação, me ganhou demais aquela arca de noé sem humanos.

2. Terra Estrangeira (1995) - filme, drama, Brasil.

Assisti uma considerável quantidade de filmes nacionais e esse foi o primeiro que me pegou me deixando viciada na música Vapor Barato pelo ano inteiro. E na Fernanda Torres, claro.

3. Conclave (2024) - filme, drama, EUA.

Também indicação de Oscar, Ralph Fiennes como um veio fofoqueiro em meio a escolha de um novo papa não tinha como dar errado. Pra mim, deu certo demais.

4. I'm not a robot (2023) - curta, drama, Bélgica.

Também dos indicados ao Oscar, esse curta me deixou com um medo real e contemporâneo: e se toda a nossa vida fosse uma mentira e a gente fosse um robô?

5. Wander to Wonder (2023) - curta, drama, Bélgica.

Outro curta também indicado ao Oscar me pega sobre o futuro dos personagens de quem cria quando quem os cria não pode mais criá-los.

6. A Lien (2023) - curta, drama, EUA.

Também curta, também indicado ao Oscar, sobre o pavor de construir sua vida em um país de merda como os EUA.

7. Instruments of a beating heart (2024) - curta, drama, Japão.

É um curta documentário, também indicado ao Oscar, que mostra uma garotinha ansiosa e nervosa no treinamento de um instrumento musical e no teste para a sua apresentação. Chorei mais do que era aceitável chorar querendo proteger aquela garotinha de toda a ansiedade que o mundo pode causar, mas que entendo como inevitável pra vida.

8. Fresh (2022) - filme, terror, suspense, EUA.

Esse me pegou desprevenida e caí na lábia do canibal bonitão tal qual a protagonista. Amei o humor, meu exato tipo de filme.

9. Parachute (2023) - filme, drama, EUA.

Também não esperava ser atingida por esse que fala sobre as consequências na vida e nas relações pessoais quando se trata de distúrbios alimentares. Tinha subestimado a Brittany Snow e amei que essa foi a estreia dela.

10. Dance Life (2024) - Reality, dança, Austrália

A rotina e aprendizado de dança de forma encantadora.

11. My Old ass (2024) - Filme, comédia, EUA.

Filme levinho com questionamentos femininos leves de acompanhar. Divertido.

12. Materialists (2025) - filme, drama, EUA.

Gosto muito em como a Celine Song leva suas histórias. Pode ser facilmente confundindo com uma comédia romântica, mas acho que consegue aprofundar um tanto mais os questionamentos.

13. Girls will be girls (2024) - filme, drama, Índia

Esse eu devo dizer que foi o meu favorito do ano. Gosto de histórias de amadurecimento, especialmente femininos, e toda a relação dela com distribuições de poder, relacionamento amoroso, familiar, amizades e sentimentos e descobertas foram, ao meu ver, mostrados de forma perfeita.

14. Breathe (2014) - filme, drama, suspense, França.

Aqui eu já tava na fase do ano em que tava rendida ao girlhood. Fui esperando uma bela amizade entre mulheres, o que aconteceu, mas não só isso. Fui impactada.

Em resumo, vi um total de 128 filmes/séries/realities, sendo esse os maiores destaques. Poderia até mencionar Yellowjackets como uma boa surpresa, mas acho que gostei mais da premissa que do desenvolvimento - também indo no aspecto girlhood da coisa. Nesse ano também consegui dar uma pluralizada nos assistidos, tendo 50 deles não sendo dos EUA. E só do Brasil foram 15 (considerando filmes, séries e realities). Também considero um número bacana os filmes dirigidos por mulher, foram 24 (número esse que espero aumentar). Foi um ano interessante.

Agora, pra livros a coisa foi mais intensa do que tinha planejado, porque pensei que não leria mais que uns 12. Mas, ó:

Melhores lidos de 2025:


-A ordem é por lidos, não por favoritos
-Nem todos foram lançados em 2024/2025
-Relidos não entram na lista


  1. Flicts (Ziraldo)
  2. Vidas Secas (Graciliano Ramos)
  3. A metamorfose (Kafka)
  4. Holocausto Brasileiro (Daniela Arbex)
  5. A cabeça do santo (Socorro Acioli)
  6. Paula (Isabel Allende)
  7. A redoma de vidro (Sylvia Plath)


Foram um total de 33 lidos, entre livros e HQ's com gêneros diversos, mas com destaque para clássicos. Apesar de ter gostado bastante das minhas leituras do ano, saio sem um grande favorito e um tanto sem norte pras próximas leituras.

Vou recomeçar a rotina e sentir ainda o que o corpo e o juízo querem pra metas e vamo lá 2026.
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segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Dia 26 de janeiro e estou no 9º livro

Sigo frenética, tentando aproveitar o meu tempo da melhor forma que dá - quando não estou jogada na cama com alta necessidade de não abrir os olhos ou quando não consigo fechar os olhos envolvida em vícios. É confuso, difícil de administrar, essas vontades de tudo e nada do corpo.

Tento não entrar no vórtex de vídeos curtos e jogos cheios de anúncio. Tento lembrar que preciso consumir os serviços que pago. Quero fechar os olhos e descansar, mas meu corpo se recusa e me lembra das coisas que tenho pra fazer, que quero fazer, que prometi fazer. Queria não ter prometido nada a ninguém. Queria não criar expectativas em ninguém, mas entendo que não existe a possibilidade de viver sem se envolver.

Além dos 9 livros, vi uns 15 filmes. A ansiedade fica na frestra da porta sussurrando: vai, lê enquanto dá. Assiste enquanto dá. Tudo isso vai mudar em breve.

Tô medicada, mas os períodos de hospital me assustaram e traumatizaram mais do que consigo mensurar.
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terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Novo ano novo

Esse ano tô um tanto acelerada nas metas e aproveito a energia de troca de ano pra surfar na empolgação de cumprir as metas que der. Tenho muitas, muitas, mas seguindo as que tem dado, até então.

Nesse processo, já consegui ler 3 livros. Sendo justa, dois deles foram muito curtinhos: Vidas Secas, de Graciliano Ramos e A metamorfose, de Franz Kafka. Ambos excelentes e poderosos.

Em Vidas secas, uma família nordestina migra abatida pela seca do sertão. O impacto da fome, da sede, de vítimas da pobreza e corrupção, da grosseria adquirida pela dureza, da insensibilidade e desconfiança, mas acima de tudo, a honestidade, me impacta porque é daí que vem os meus antepassados e é um impacto que segue batendo mesmo quando não passamos mais em profundidade por tais aspectos. Mas o atraso? Ele tá lá. Vejo na minha vó, nas primas dela, no meu pai e suas histórias.

Minha vó, em avanço de demência, me faz pensar que, se tivesse tido uma vida mais confortável e sem privações, teria conseguido combater, não sei, a mente que se deteriora. E privações, não falo só as financeiras, mas humanas também. Não soube dar amor a alguns e, aos que deu, foi abandonada.

E aí vem A metamorfose falar sobre um personagem, o Samsa, que virou um inseto. Assim, sem mais, nem porquê. De forma similar, minha vó sofreu um AVC e, a pouco mais de um ano, vimos o processo dela de 'insetificação' de uma pessoa. Ela não sabe mais se comunicar, que não existe mais em convívio social, abandonada pelo filho, irmã, netos. Que, quando deixou de ser 'útil', passou a ser 'algo' a ser visto com pena e repugnância.

Em lapsos de autoconsciência, ela me diz que tô cheirosa e sempre respondo que ela que tá. Ela ri e diz "eu não". Mais de uma vez ela fala sobre se achar suja. Mas não, nunca tá, sempre tá cheirosinha e hidratada. É sobre isso que se trata as tais 'situações kafkianas'?

Apenas janeiro e eu já sendo socada em memórias e reflexões. Acho que o ano começou bem, apesar de pesares.
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sexta-feira, 19 de abril de 2024

Não quero mais indicações

Eu quero ler os livros que comprei, que me organizei pra ter, que eu achar por conta própria. Os álbuns que adiei, aqueles que descobri e descobrirei, eu quero ouví-los por mim. Os filmes, as séries, aqueles que fazem sentido no meu momento de vida, os que encontrei, os que vou encontrar.

Em hobbies, quero me jogar naqueles que eu sentir que meu corpo e minha alma se encontram. Sem cobrança de qualidade, sem pressa.

Sem indicações furando todas as minhas filas, minhas organizações, meus eus.

🎵 This time I wanna drive
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sábado, 6 de abril de 2024

Eu, robô?

Eu tenho dificuldade demais em ver vídeo acelerado, porque eu sou lenta. Em muita coisa da vida eu sou lenta, nisso também.

Mas aí como não há tempo hábil pra tudo na vida, coloquei um vídeo aqui acelerado em 1.25x. E toda hora eu fico agoniada porque penso que a pessoa tá falando rápido demais.

Acabo perdendo tempo porque não entendo o que foi dito e eu preciso ficar voltando pra entender bem.

Lendo 'Eu, robô', segundo a 1ª Lei da Robótica de Asimov, por proteção a vida humana, se robôs caem em dilemas insolúveis, eles entram em parafuso.

Pensando aqui no parafuso que é estar cansada do excesso de informação e ficar frustrada com a perda de tempo e consumir mais informação pra suprir o tempo perdido.

Um robô só aguentaria porque excesso de informação não seria um problema, talvez, mas aí quem entra em parafuso é a mente humana com o dilema.
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Resumo | 2023

Consumi muito pouco, no geral. Consegui cumprir muito pouco o que me propus, mas resolvi destacar alguns deles, ainda assim, pra tentar manter um pouco do meu senso de normalidade.

░░ Livros ░░

Como li poucos, coloquei todos que li com uma avaliação média em estrelas das leituras que gostei. Boas leituras, mas poucas. Ou poucas leituras, mas boas. Dependendo do ânimo do dia.O amor nos tempos do cóleca (Gabriel García Marquez) - ★★★★
Homens sem Mulheres (Haruki Murakami) - ★★★★
Relatos de um gato viajante (Hiro Arikawa) - ★★★
A Rosa de Sarajevo (Margaret Mazzantini) - ★★★★
O Papel de Parede Amarelo (Charlotte Perkins Gilman) - ★★★★★
Dom Casmurro (Machado de Assis) - ★★★★
A publicidade é um cadáver que nos sorri (Oliviero Toscani) - ★★
Estou feliz que minha mãe morreu (Jennette McCurdy) - ★★★
Nos olhos de quem vê (Helô D'Ângelo) - ★★★★★❤︎
Fim (Fernanda Torres) - ★★★★

Deixei algumas leituras interminadas que não sei se retomarei em breve. Entrarão na lista futura de quando terminá-las, espero.

░░ Filmes ░░

Filmes eu venho fugindo rapidamente do meu atual de ver muitos de forma constante e a memória não anda ajudando a lembrar dos meus favoritos, mas citarei alguns que consegui selecionar como destaque.Aftersun (2022)
The menu (2022)
RRR (2022)
The banshees of Inisherin (2022)
Babylon (2022)
Beau is afraid (2023)
Barbie (2023)
Sorry we missed you (2019)
Delicatéssen (1991)
So long, my son (2019)
Rotting in the sun (2023)
Saltburn (2023)

░░ Podcasts ░░
Bobagens Imperdíveis (Aline Valek)
O Assunto (Natuza Nery)
Meus discos, meus drinks e nada mais (Bruno capelas)
Chutando a escada (Ep.: SOAD e o genocídio armênio) (*Filipe Mendonça e Geraldo Zahran)
Rádio Novelo

Espero, com pouca esperança, um 2024 mais preenchido.
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terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Movimento

Uma colega há 3 anos, fez um diário de parto acurado e por mais que seja uma situação que eu nunca passei, me vejo pensando no texto dela algumas vezes em várias situações.

O grande foco do texto (além do nascimento do bebê, obviamente) é que um dos fatores essenciais da vida é o movimento.

Seria até ilógico pensar o porquê uma pessoa que tá sofrendo uma dor do cão iria preferir dançar que ficar parada, mas lógica do corpo é que sim, o movimento ajuda em tudo.

Num outro momento da vida, em que tive uma lesão no pescoço e muitas recomendações de repouso - que diminuíam a dor no momento, mas voltava com força depois, quando fiz fisioterapia, mais uma vez realizei de que movimento era o que me traria mais qualidade de vida.

Alonga, exercita, alonga. As dores imediatas do movimento foram substituídas pela amenidade de dores piores. Mais uma vez salva pelo movimento.

Daí, no momento de caos que anda a minha vida em que me vejo totalmente presa, atada a coisas que não consigo dar jeito, fui lembrada por esse texto de que a vida é fluida e que, mais uma vez por movimento, ela se moverá e tomará um rumo. Não à toa a vida é comparada a um rio.

Caminhando em pequenos passos, pra não cair, ainda que o chão exerça uma forte atração diária.



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