É a sensação constante da vida nas últimas semanas.
Me sentindo incapaz pra todas as coisas que as pessoas acham que eu poderia fazer.
O último ano de idas mais frequentes a hospitais me mostrou que sou capaz de uma memorização e organização que não achava serem possíveis. Especialmente nessa última estadia, todos os dias eu era capaz de armazenar e processar informações, no que chamávamos de boletins, de uma forma que as pessoas destacavam demais, que os médicos me diziam que eu parecia e deveria seguir a área da saúde. Mexeu, sinto, um tanto com o ego. Vai ver aquele ego famoso do artista que precisa ser elogiado e etc e, dentre tristezas e incapacidade de normalidade, às vezes, o meu dia era feito de elogios à minha organização comunicacional.
Eu deveria abrir minha loja, realizar os pedidos acumulados, criar ideias de produtos únicos, tirar minha CNH, reformar uma parte da casa, reorganizar as coisas acumuladas, tocar minha vida como uma adulta funcional, marcar aquela saída, usar os vouchers de cinema antes que vençam, mas só quero ficar na minha cama assistindo série repetida, lendo romance questionável e picotando e colando papel.
Não sei mais desenhar, formular uma frase inteligente, pensar em algo minimamente inovador. Voltei a minha fase fraude onde reclamar não cabe mais e também não sei agir. Talvez seja só a presença do luto ou da depressão à espreita, colando um adesivo no meu peito: FRAUDE, FRAUDE, FRAUDE.

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