𝚃𝚑𝚎 𝚗𝚊𝚖𝚎 𝚘𝚏 𝚊𝚗 𝚎𝚡𝚝𝚒𝚗𝚌𝚝 𝚜𝚝𝚊𝚛 𝚎𝚌𝚑𝚘𝚎𝚜, 𝚌𝚛𝚎𝚊𝚝𝚎𝚜 𝚠𝚒𝚝𝚑 𝚜𝚒𝚕𝚎𝚗𝚌𝚎, 𝚜𝚑𝚊𝚍𝚘𝚠, 𝚊𝚗𝚍 𝚋𝚛𝚒𝚐𝚑𝚝𝚗𝚎𝚜𝚜.

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Tardes em casa

Minha mãe é uma assídua ouvinte de rádio. Não qualquer uma, tem que ser a Liberdade FM assim como a tv de casa não conhece outra emissora que não a Globo.

Como ela não tá usando o quarto dela (desde que minha vó adoeceu, habitamos todos um andar só em torno dela), desci com a Alexa dela pra cozinha e instiguei: ô, mulher, por que a senhora não larga um pouco a rádio e escuta algo que a senhora verdadeiramente gosta, hein?

Tal como eu, ela é apegada a rotina, a coisas fixas. Mudança significa dor, mesmo que venha com ganhos posteriores. E, sendo assim, ela foi relutante, disse gostar das músicas que tocavam na rádio. Até as que não gostava, aprendia a gostar.

Insisti: Por que ouvir de vez em quando algo que gosta se a senhora pode escutar sempre? Por que se acostumar com algo que não gosta quando pode se permitir? E ela se permitiu.

E aí tem sido fantástico, a essa altura, descobrir o gosto musical da minha mãe. Ela gosta de um sambinha aos domingos de manhã, então assim geralmente acordo com Alcione ou Beth Carvalho. Pra quando tá arrumando a casa, gosta de algo pra cantar junto, então rola Priscilla Senna, Nelson Gonçalves, Roberto Carlos, Marília Mendonça. Ou quando quer só parar pra dizer "eu acho essa tão linda", rola Scorpions ("qual é aquela do assovio?"), Guns n' Roses ("essa também"), Joe Dolan, Trepidant’s.

Dia desses, cheguei do trabalho e ela me falou o quanto foi bom lembrar da juventude e como são lindas as músicas dos Beatles. Exclamou o quão incrível é não ter uma música ruim. Coincidentemente eu também tinha passado a tarde escutando Beatles, o álbum Abbey Road e trocamos maravilhamentos sobre.

As vezes, andando pela casa, ela para pra dizer "eu amo tanto essa" e eu amo esses momentos.

Em algum momento do passado eu tinha feito uma playlist chamada "Tardes em casa" imaginando algumas coisas que ela gostaria de ouvir e lembrando de coisas que ouvia quando era criança, nas épocas de fitas K7 e CDs. Tentando separar o que era dela do que era do meu pai.

Agora, com o streaming tenho a chance de afinar essa playlist com ela e isso é muito linguagem de amor que levarei pra memória futura.
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Resumo | 2023

Consumi muito pouco, no geral. Consegui cumprir muito pouco o que me propus, mas resolvi destacar alguns deles, ainda assim, pra tentar manter um pouco do meu senso de normalidade.

░░ Livros ░░

Como li poucos, coloquei todos que li com uma avaliação média em estrelas das leituras que gostei. Boas leituras, mas poucas. Ou poucas leituras, mas boas. Dependendo do ânimo do dia.O amor nos tempos do cóleca (Gabriel García Marquez) - ★★★★
Homens sem Mulheres (Haruki Murakami) - ★★★★
Relatos de um gato viajante (Hiro Arikawa) - ★★★
A Rosa de Sarajevo (Margaret Mazzantini) - ★★★★
O Papel de Parede Amarelo (Charlotte Perkins Gilman) - ★★★★★
Dom Casmurro (Machado de Assis) - ★★★★
A publicidade é um cadáver que nos sorri (Oliviero Toscani) - ★★
Estou feliz que minha mãe morreu (Jennette McCurdy) - ★★★
Nos olhos de quem vê (Helô D'Ângelo) - ★★★★★❤︎
Fim (Fernanda Torres) - ★★★★

Deixei algumas leituras interminadas que não sei se retomarei em breve. Entrarão na lista futura de quando terminá-las, espero.

░░ Filmes ░░

Filmes eu venho fugindo rapidamente do meu atual de ver muitos de forma constante e a memória não anda ajudando a lembrar dos meus favoritos, mas citarei alguns que consegui selecionar como destaque.Aftersun (2022)
The menu (2022)
RRR (2022)
The banshees of Inisherin (2022)
Babylon (2022)
Beau is afraid (2023)
Barbie (2023)
Sorry we missed you (2019)
Delicatéssen (1991)
So long, my son (2019)
Rotting in the sun (2023)
Saltburn (2023)

░░ Podcasts ░░
Bobagens Imperdíveis (Aline Valek)
O Assunto (Natuza Nery)
Meus discos, meus drinks e nada mais (Bruno capelas)
Chutando a escada (Ep.: SOAD e o genocídio armênio) (*Filipe Mendonça e Geraldo Zahran)
Rádio Novelo

Espero, com pouca esperança, um 2024 mais preenchido.
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