As segundas-feiras na minha casa ficaram marcadas como o dia que recebemos uma péssima ligação, de quando tudo acabou e recomeçou. Desde então tudo mudou e nada mudou, o que é muito estranho. Não conseguimos desapegar da estranheza da nova realidade. É um vazio que ocupa um espaço imenso e não sabemos explicar a presença do nada.
Volta e meia me volta um texto da Superinteressante que li há uns 10 anos sobre como o nada, o vazio tem um peso imenso e todo o universo é feito de nada. Lembro que li fascinada, dessas coisas que agarram em você e lhe formam como pessoa.
Mas não era um texto sobre luto, era sobre o funcionamento do universo.
Num caminho pra casa, a minha playlist tocou Before we drift away (NBT) e fiquei remoendo a letra com a exata sensação de saber sobre o que a música fala, de tomá-la pra mim:
I wonder where I float to when I return to dust?
A sea to wash away the last of us
It's such a funny feeling, the world's at war again
But in this very moment
Oh, it couldn't matter less
A sensação de "O mundo estar em guerra novamente e eu não poderia me importar menos" batendo fortemente.
Tenho dívidas e eu não poderia me importar menos.
É ano de copa do mundo e eu não poderia me importar menos.
Eleições presidenciais e eu não poderia me importar menos.
Qualquer pessoa e qualquer que seja sua pauta e eu não poderia me importar menos.
Alguém não gostar de mim pelo motivo que seja e eu não poderia me importar menos.
O mundo estar em guerra e acabando e eu não poderia me importar menos.
Perdão, mas isso tá na conta do luto.
And as we sing this familiar song, I thought I'm gonna miss your love when it's gone...

porque no fim das contas só a gente sabe o peso que o nosso nada tem. e todo o resto vira menos que isso.
ResponderExcluirExatamente!!
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