𝚃𝚑𝚎 𝚗𝚊𝚖𝚎 𝚘𝚏 𝚊𝚗 𝚎𝚡𝚝𝚒𝚗𝚌𝚝 𝚜𝚝𝚊𝚛 𝚎𝚌𝚑𝚘𝚎𝚜, 𝚌𝚛𝚎𝚊𝚝𝚎𝚜 𝚠𝚒𝚝𝚑 𝚜𝚒𝚕𝚎𝚗𝚌𝚎, 𝚜𝚑𝚊𝚍𝚘𝚠, 𝚊𝚗𝚍 𝚋𝚛𝚒𝚐𝚑𝚝𝚗𝚎𝚜𝚜.

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sábado, 6 de junho de 2026

Paisagens que construí sem perceber

CW: excesso de metáforas.

Há algumas semanas eu venho tendo um incômodo sobre o excesso de consumo e conteúdo. Nos últimos anos, como recorro a comentar, passei muito tempo presa apenas na absorção de conteúdos e na vontade de fazê-los devido a recorrências hospitalares e cuidados aos meus. Agora que me encontro com mais tempo considerável disponível, quero atirar para todos os lados, realizar tudo, mas ainda me encontro insegura na realização e presa no consumo.

Não que eu ache que consumir conteúdo seja ruim, longe disso. Eu amo consumir bons conteúdos e vê-los crescer em mim como referências. Amo ver gente compartilhando um pouco de si, de forma autêntica. Amo a troca de bagagens de vida. No entanto, o desafio de se propor a realizá-los, apesar de gostoso, é um desafio. Requer tempo, disposição, dinheiro e coragem de errar. Consumir sempre será mais fácil.

Daí nessa movimentação de se colocar na ativa, tenho ficado imersa na colagem de papeis em cadernos velhos diversos, entrei num clube de livro presencial, rediagramei e atualizei este blog, tenho organizado melhor meu listography com coisas que tavam enevoando a minha cabeça e sem um destino de organização certo. Também organizei minhas listas do letterboxd por cores e tenho atualizado coisas relativas à abertura da minha lojinha. Preciso ainda atualizar meu Notion que, modéstia à parte, já acho belíssimo.

E aí me deparei esses dias, no equilíbrio de consumo de conteúdo alheio, com esse texto que fala sobre a construção de Jardins Digitais e minha cabeça deu várias pequenas explosões ao perceber que nessa divisão citada entre sementes, árvores e frutos, eu já venho catalogando sementes e plantando-as há muito, muito tempo sem perceber ou sem pretensão de construção de um jardim ou da ordem que deve ser.

https://agapysjournal.substack.com/p/consumir-como-artista-construindo

Pensei ser só uma viciada em organização digital e esse sentimento veio muito à tona quando conheci o Notion. Organizá-lo, concentrando minhas referências num canto só, foi extremamente satisfatório. Ali, eu já estava na construção do meu jardim sem perceber. Quando resolvi organizar minha estante de livros por cores, percebi que não era só uma questão digital e o sentimento se consolidou no processo de organizar pedaços de papel no junk journal e colá-los por tipos de cores, de texturas, de formatos. 
Pra todas as vezes que desejei uma penseira, eu fui lá e construí uma. Ou várias. Me identifiquei como uma curadora cromática e entendi que todas as minhas coletas não eram desvios de atenção ou procrastinação, como tantas vezes julguei, mas parte da minha identidade o tempo todo.

E fiquei pensando sobre o que envolve ser um curador. 
Minha cabeça fez muito trocadilho entre "curar arte me cura" e "cura.dor". Bregas? sim, mas eu gosto porque fazem sentido pra mim, ☺e imagino que o processo de ser curador de referências seja inerente a manter atividades criativas. Afinal, o que seria da nossa bagagem sem as coletas de sensações e olhares, leituras e consumos, sabores e sentimentos? Pegar fragmentos diversos, interligá-los, achar conexões que façam sentido.
Passar a vê-las como sementes é que passou a ser especial, porque percebo que criei pontes de sensações ao longo de muitos anos que, olhando agora do alto, fazem sentido na construção de uma identidade que é minha. Eu organizo pra compreender, eu compreendo um sistema pra me organizar.
É, de fato, mais que um jardim, como é citado no texto, mas um ecossistema.

E é realmente um desafio expandir além da coleta e catalogação de sementes. Em um universo digital, faço um movimento de pinça e vejo a semente plantada, vejo as raízes e dou um zoom out, vejo tronco, vejo galhos, vejo folhas, zoom out e vejo um jardim, zoom out, flores e frutos, zoom out, uma floresta, zoom out...

O blog alimenta o Letterboxd.
O Letterboxd alimenta as colagens.
As colagens alimentam as ideias.
As ideias alimentam os desenhos.
Os desenhos alimenta o blog.
O Notion registra tudo.

E, no meio disso, eu vou mudando.
As plantas também.

Mas o jardim continua sendo reconhecivelmente meu.

Por isso que ao pensar no cuidado do meu jardim, eu me sinta tão incomodada sobre envios aleatórios de links e reels que nada tem a contribuir com meu espaço. Nem toda semente precisa entrar no meu jardim, prefiro eu mesma fazer a curadoria do conteúdo que me acrescenta.

Por ora, abrir a janela e olhar a paisagem que eu criei tem sido o que tenho feito de melhor.

Meu canteiro no Letterboxd;
Lá no Pinterest;
O do Cosmos (contém +18).



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quinta-feira, 21 de maio de 2026
Esse é um texto que ensaio há tempos escrever e provavelmente faltará palavras pra escrevê-lo como quero. A cabeça ainda segue enevoada e, bem, esse é pra falar sobre a tentativa de desenevoar. É sobre processo criativo e pausas mentais, sobre sair de telas, se voltar para o analógico, sobre explorar quereres, sobre abrir brechas pra outros interesses e abraçar pequenas coisas e imperfeições, sobre espalhar, ver, rever e produzir beleza ao redor, sobre tentar se sentir bem em meio ao caos, sobre romantizar sua vida.

Romantize sua vida como uma artista

Romantizar é um termo muito atribuído a coisas que se considera ruins, com alerta do perigo de relativizá-las possa causar um grande prejuízo. Isso porque o romântico, em uso comum, é usado para a preferência pela fantasia, pela emoção, pela imaginação, em detrimento da racionalidade. O deixar se encantar pela parte boa da coisa toda e se iludir de que é possível viver dentro de uma nuvem cor de rosa usando um arco-íris de ponte.

Mas amigues, pra vida prestar, é preciso uma grande dose de romance e todas as atribuições que vem com a prática.

Não sei como meus amigos racionais vivem com a vida difícil do jeito que é, mas eu que vejo as coisas de uma perspectiva dramática, eu preciso da distração, da fantasia, do entretenimento como item básico de sobrevivência.

Acho que uma das grandes lutas da minha vida é tentar conseguir o equilíbrio entre razão e emoção. Tenho muita dificuldade em lembrar de todos os compromissos que eu tenho no dia, na semana, no mês, no ano se eu não anotá-los ou fugir deles porque toda burocracia me assombra; Quando preciso ser física e mentalmente presente em alguma situação de conflito, sou drenada de toda reserva de energia que habita o meu corpo e a forma de repor essa energia é me voltar pro máximo de alienação que eu consiga ter naquele instante. Nem que seja olhar pro vazio por 5 minutinhos imaginando um ambiente, situação, companhia totalmente diferentes daqueles que me encontro no momento.

As últimas semanas (digo, os últimos anos, se for analisar direitinho) me forçaram a estar mais presentes numa realidade densa, cheia de problemas familiares e financeiros, doenças e morte. Me tirou o tino da minha capacidade de abstração da realidade. Que era excessiva, eu confesso, mas sair de um extremo pro outro, sem uma preparação do coração, não foi legal.

E me sinto dizendo um "venho por meio desta", em prol do bem-estar e equilíbrio mental dizer: Romantize sua vida, sim. Acenda aquela vela no seu banho, durante a sua leitura; bote um cheirinho bom enquanto você arruma casa; compre flores e enfeite sua mesa, sua estante, sua janela; Sinta o vento ou sol bater na cara, o cheiro da chuva; Faça um escalda-pés; Passe um óleo de banho, um hidratante cheiroso; Faça ou peça uma comida gostosa; Fale sem pressa com aquela pessoa que você gosta; Faça um caminho diferente; Convide um amigo pra sair; Dance e cante no banho (com cuidado pra não escorregar); Sinta as folhas secas se esmagando sob os seus pés; Pesquise um assunto que você gosta e se delicie com um conhecimento que só serve pra você; Assista as nuvens te apresentarem desenhos diferentes (ou os azulejos do banheiro); Comece um hobby novo.

Ou corte revistas, junte resto de embalagem e

Junk journal with me.
Esse é o típico hobby que vai vir alguém e perguntar: mas isso aí, hein, serve de que?


E a gente tenta não dizer que é pra comer cu de curioso, não, a gente responde que serve de nada além de esvaziar a mente, ocupar as mãos, preencher o coração, como qualquer outro hobby que, pra ser hobby, na minha concepção, tem que fazer bem primeiro a quem está a fazê-lo.

Mas o que é journal/journaling?
É a prática de usar um caderno ou espaço digital (como esse blog, aliás) para organizar ideias, seja por imagem ou escrita, com desenhos ou colagens, na categoria que quiser - Bullet journal (BuJo), junk journal, sketchbook, diário de viagem, álbum de fotos, grimório, scrapbook - ou tudo junto, o caderno é seu, se joga. Seja pra escrever diariamente, organizar sua vida em listas, organizar sua coleção de adesivos, colar cacarecos.

Eu, particularmente, tenho experiência com journals desde criança, que sempre fui estimulada pela minha mãe a escrever em pequenos diários e na adolescência quando migrei e comecei a explorar blogs, além da faculdade que me incentivou a manter sketchbooks diversos.

A minha obsessão atual, que ando precisando manter coisas que não me exijam um nível de pensamento profundo, tem sido explorar o junk journal.


Tem sido incrivelmente relaxante cortar papeis, achar padrões, criar padrões, organizando-os visualmente, ter ideias pra novas páginas, pensar em ideias de coisas mais elaboradas, querer ter mais contatos com técnicas analógicas, descobrir e experimentar novas coisas, mexer coisas com as mãos, relaxar o cérebro, voltar pros dias infantis de tempo dedicado a uma atividade prazerosa, fazer coisa bonita, ter dias bons e ver a vida por olhos mais apaziguadores.

Lendo sobre e vendo perfis de design, acabei absorvendo a ideia de que registrar junk é registrar memória gráfica. E eu sou designer gráfico, ô catapimbas (e das velhas). Registrar memória gráfica é uma das minhas tarefas de profissão. Seja numa página feita de colagens de marcas diversas recortadas de embalagens como testar uma nova composição com elementos diversos tirados de várias outras origens que puderam chegar às mãos.

Observar, cortar, compor, colar. Design e arte puros. Beleza em tudo. Romantização da vida.
Essa é a minha vibe atual e eu recomendo.
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