𝚃𝚑𝚎 𝚗𝚊𝚖𝚎 𝚘𝚏 𝚊𝚗 𝚎𝚡𝚝𝚒𝚗𝚌𝚝 𝚜𝚝𝚊𝚛 𝚎𝚌𝚑𝚘𝚎𝚜, 𝚌𝚛𝚎𝚊𝚝𝚎𝚜 𝚠𝚒𝚝𝚑 𝚜𝚒𝚕𝚎𝚗𝚌𝚎, 𝚜𝚑𝚊𝚍𝚘𝚠, 𝚊𝚗𝚍 𝚋𝚛𝚒𝚐𝚑𝚝𝚗𝚎𝚜𝚜.

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terça-feira, 11 de agosto de 2026

BEDA + Pattern Challenge, tema 5: Big cats

  







Lista de prompts por Mimi:


 Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS, criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. Esse é um tema de agosto (BEDA 2026 - Guardiões da Blogosfera) E é possível ler o que a galera anda escrevendo por aqui.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

BEDA + Pattern Challenge, tema 4: Floats

 





Lista de prompts por Mimi:


Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS, criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. Esse é um tema de agosto (BEDA 2026 - Guardiões da Blogosfera) E é possível ler o que a galera anda escrevendo por aqui.
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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

BEDA + Pattern Challenge, tema 3: Palms

 



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terça-feira, 4 de agosto de 2026

BEDA + Pattern Challenge, tema 2: Cherries





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domingo, 2 de agosto de 2026

BEDA + Pattern Challenge, tema 1: Splash!




 

Lista de prompts por Mimi:







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segunda-feira, 27 de julho de 2026

[Tag] Todo hobby é uma porta

Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. Esse é o de julho (Um passatempo antigo, algo que você gosta de fazer atualmente ou até comece um novo).


Falar de hobbies é entrar num caminho longo por aqui, como entrar num labirinto que vai mudando o caminho enquanto você o adentra. Porque, olhando para trás, percebo que nenhum hobby ficou parado no tempo. Todos foram mudando de forma e acabaram construindo quem eu sou hoje.

Mas vamo lá voltar ao início quando a Keith menor foi estimulada a desenhar e criar com diferentes materiais? Bora. E a ler? Também! E a varar madrugadas ou se recusando a ir dormir enquanto assistia filmes com o pai? sim! E quando familiares ensinaram despretensiosamente a tricotar e crochetar? Vamosss.

E aí vou me segurar pra falar apenas dos antigos sem deixar que os novos, ainda que uma coisa ligue a outra, atropelem. Porque hobby is my passion.


Leitura

Como comentei em outro texto, minha mãe gosta de contar que eu e meu irmão aprendemos a ler com 3 anos de idade. E vendo esse interesse desde pequenininhos, ela sempre estimulou com gibis da turma da mônica e do Pato Donald, que amávamos; Também eventualmente pegava livros infantis na revista da Avon, que era revendedora além de comprar enciclopédias e ter assinatura de revista como Recreio. Eu amava.

Era super ratinha da biblioteca da escola e também da cidade. Na escola, fiz amizade com a bibliotecária de e ela me indicava leituras. Tenho livros favoritos ainda dessa época, como David Copperfield e, suspeito, que foi bem aí que desenvolvi meu gosto pelo gênero bildungsroman. Já a antiga biblioteca daqui (da cidade que ainda moro) era um dos meus lugares favoritos da adolescência. Correr pra lá com meus amigos de escola e ficar perambulando entre os corredores, com cheiro de livro velho e com aquelas janelas imensas, mas que ainda fazia entrar uma luz enviesada, me dava um sentimento de tardes infinitas que nunca mais recuperarei.

Também tive uma adolescência inundada de revistas que minha madrinha nos dava. Super Interessante, História, Mundo Estranho, eu amava tanto.


Algumas professoras do meu irmão sabia do nosso gosto por leitura e, vez em quando também nos emprestava alguns. Lembro que foi aí que tive acesso a Paulo Coelho.

Meu irmão também chegou a imprimir livros na impressora do estágio pra ler em casa e pegar livros na faculdade pra mim.


As vezes eu ia pra cybercafés só pra baixar inúmeros pdfs, encher pendrives de livros e organizar pastas por gêneros ou passava horas lendo no computador sem internet e na rua pelo celular.


A possibilidade de adentrar vários espaços inacessíveis, conhecer várias pessoas e viajar sem sair do lugar, muitas vezes varando a madrugada a luz de lanterna ou levando o kindle pra ultrapassar fronteiras e desafios comigo pra me sustentar nos momentos mais difíceis, não tem preço. A leitura me salvou, salva e, espero, sempre salvar.


Sigo me organizando lá pelo Goodreads


Filmes


Assim como o cinema.
Em momentos de maior tempo livre, eu basicamente assistia um filme por dia. Com muita saudade dessa época. Apesar de amar leitura, sempre achei que nunca consegui chegar tão perto de viajar sem sair do lugar como quando assistia filmes. Atribuo isso, talvez, ao fator de ter um grau de afantasia meio alto que não me deixa visualizar claramente imagens na mente e sinto que adaptações da literatura é o complemento perfeito para conseguir o mais próximo de enxergar mentalmente.


Meu pai amava filmes. Na infância, eu só ia dormir quando ele ia dormir e me carregava pra cama. Filmes de kung fu, quebradeira e faroeste eram os seus favoritos e, ainda que meu gosto não tenha seguido por esse caminho, foi o meu grande começo. Ele se encantava sobre como os filmes eram feitos e consumia muitos DVDs piratas e passava os dias assistindo além de falar com carinho de frequentar os cinemas de rua que existiam em Caruaru.

Na adolescência, só com acesso a televisão de sinal aberto, o meu ponto alto do ano era a divulgação de grade de filmes do ano da Globo, assim como amava to-dos os programas de filmes, da Sessão da Tarde ao Corujão. Varei muita madrugada ligando pro 0800 do Intercine pra votar em qual seria o filme do dia seguinte.

Era frequentadora semanal da locadora, gravei muito filme em VHS da tv, frequentei muito cinema de rua - não muito adepta dos cinemas de shopping, apesar de amar o ambiente - e muito adepta de acompanhar premiações.

Hoje em dia continuo amando, mas conciliar obrigações de vida adulta com o gosto por cinema tem sido complicado. Não mais um por dia, mas sinto encaixando alguma viagem cinematográfica no meio da semana.



Sou apaixonada em organizar listas e vistos lá pelo Letterboxd


Manualidades têxteis

Uma forma de otimizar o tempo e fazer duas coisas ao mesmo tempo é fazer um crochê ou bordado enquanto assisto algo fácil de entender. Aí, confesso que me jogo mais nas séries que em filmes, que não me perco no contexto caso eu precise tirar os olhos da tela de tempos em tempos.


É sintomático que hoje em dia pra conseguir manter tantas coisas eu acabe fazendo várias ao mesmo tempo e reclamando depois que a mente está cheia e exausta, mas, sendo sincera, acho a conciliação dessas duas coisas ainda gostosa de fazer.

Quando criança, aprendi com familiares pontos básicos e preferia até o tricô, mas era péssima (me faltava acesso) pra conseguir construir peças de cabeça. Com minha prima, desenvolvi mais o crochê, porque ela aprendia em outro lugar e me ensinava. Acabei retomando recentemente, agora com acesso (beijos, internet), seguindo tutoriais e me desafiando a começar e terminar peças, a presentear pessoas, a fazer peças de roupa pra mim. E amo cada uma delas e tenho uma lista de coisas mais que ainda quero fazer e aprender.


E com o bordado, o que seria mais se não uma extensão da pintura? Já na faculdade de design, vendo as mil possibilidades de aplicação, comecei a fazer meus primeiros testes. Durante a pandemia foi quando mergulhei e expandi possibilidades com pedrarias, pontos diferentes, texturas diferentes. Sempre gostei, na pintura, de testar materiais diversos e vi uma grande porta pra isso no bordado, podendo juntar os meus desenhos, o meu universo, também nos tecidos.

O que também requer tempo e, apesar de amar todos os meus hobbies - esses que se mantiveram, e também os novos, eu preciso escolher minhas lutas. 

Esses foram alguns dos resultados de muitos, diversos bordados que fiz, aplicando ilustrações no tecido durante o desafio de outubro chamando Stitchtober:

Bordado feito para o desafio mensal Stitchtober, baseado na obra literária "Serpentário".

Bordado feito para o desafio mensal Stitchtober, com elementos tipográficos baseado em O senhor dos Aneis.

Bordado feito para o desafio mensal Stitchtober, baseado na obra literária "As águas-vivas não sabem de si".

E algumas das minhas peças de crochê favoritas:







Desenho e pintura


Eu desenho desde criança. Uma das minhas coisas favoritas de desenhar eram croquis de roupas impraticáveis. Minha vó dizia que eu seria estilista. Mas entre roupa e gente, eu gostava mais de desenhar gente, retratos, em especial.

Retrato digital, Billie Eilish, 2021.

Retrato digital, Donna Missal, 2021.


A minha escolha por meu curso superior, quando eu achava que queria publicidade por gostar de fotografia, foi por "saber desenhar", como todo mundo dizia que eu sabia e me incentivava a escolher o design. Que, pra minha surpresa e decepção, não precisava saber desenhar pra fazer design. Mas curiosamente me abriu a mente pra interdisciplinaridade da área. Design é um mundo, é tudo, é lindo. O mercado é uma bosta, mas teoricamente, design é lindo. Achava isso enquanto cursava, ainda acho agora.

Foi na faculdade que entendi que não sabia desenhar coisa nenhuma. Também lá que aprendi a pintar, do basiquinho, lápis de cor, pro digital. Foi por lá que passei a ver o porquê nunca tive um hobby de cada vez, porque eles sempre conversaram entre si.

A leitura me ensinou a imaginar histórias que mais tarde desenhei. Os filmes me ensinaram luz, enquadramento e narrativa. O desenho encontrou o bordado. O bordado encontrou a curiosidade pelo têxtil. O crochê me ensinou a paciência e persistência de fazer e refazer.
Cada interesse puxou o próximo como quem segura a mão de alguém num corredor escuro.

Talvez seja por isso que eu nunca consiga responder quando perguntam qual é o meu hobby favorito. Eles não competem entre si. São maneiras diferentes de alimentar a mesma curiosidade que me acompanha desde criança. E, sinceramente, espero sempre me deixar correr por ramificações novas e nunca deixar de encontrar um novo caminho dentro desse labirinto.

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sábado, 6 de junho de 2026

Paisagens que construí sem perceber

CW: excesso de metáforas.

Há algumas semanas eu venho tendo um incômodo sobre o excesso de consumo e conteúdo. Nos últimos anos, como recorro a comentar, passei muito tempo presa apenas na absorção de conteúdos e na vontade de fazê-los devido a recorrências hospitalares e cuidados aos meus. Agora que me encontro com mais tempo considerável disponível, quero atirar para todos os lados, realizar tudo, mas ainda me encontro insegura na realização e presa no consumo.

Não que eu ache que consumir conteúdo seja ruim, longe disso. Eu amo consumir bons conteúdos e vê-los crescer em mim como referências. Amo ver gente compartilhando um pouco de si, de forma autêntica. Amo a troca de bagagens de vida. No entanto, o desafio de se propor a realizá-los, apesar de gostoso, é um desafio. Requer tempo, disposição, dinheiro e coragem de errar. Consumir sempre será mais fácil.

Daí nessa movimentação de se colocar na ativa, tenho ficado imersa na colagem de papeis em cadernos velhos diversos, entrei num clube de livro presencial, rediagramei e atualizei este blog, tenho organizado melhor meu listography com coisas que tavam enevoando a minha cabeça e sem um destino de organização certo. Também organizei minhas listas do letterboxd por cores e tenho atualizado coisas relativas à abertura da minha lojinha. Preciso ainda atualizar meu Notion que, modéstia à parte, já acho belíssimo.

E aí me deparei esses dias, no equilíbrio de consumo de conteúdo alheio, com esse texto que fala sobre a construção de Jardins Digitais e minha cabeça deu várias pequenas explosões ao perceber que nessa divisão citada entre sementes, árvores e frutos, eu já venho catalogando sementes e plantando-as há muito, muito tempo sem perceber ou sem pretensão de construção de um jardim ou da ordem que deve ser.

https://agapysjournal.substack.com/p/consumir-como-artista-construindo

Pensei ser só uma viciada em organização digital e esse sentimento veio muito à tona quando conheci o Notion. Organizá-lo, concentrando minhas referências num canto só, foi extremamente satisfatório. Ali, eu já estava na construção do meu jardim sem perceber. Quando resolvi organizar minha estante de livros por cores, percebi que não era só uma questão digital e o sentimento se consolidou no processo de organizar pedaços de papel no junk journal e colá-los por tipos de cores, de texturas, de formatos. 
Pra todas as vezes que desejei uma penseira, eu fui lá e construí uma. Ou várias. Me identifiquei como uma curadora cromática e entendi que todas as minhas coletas não eram desvios de atenção ou procrastinação, como tantas vezes julguei, mas parte da minha identidade o tempo todo.

E fiquei pensando sobre o que envolve ser um curador. 
Minha cabeça fez muito trocadilho entre "curar arte me cura" e "cura.dor". Bregas? sim, mas eu gosto porque fazem sentido pra mim, ☺e imagino que o processo de ser curador de referências seja inerente a manter atividades criativas. Afinal, o que seria da nossa bagagem sem as coletas de sensações e olhares, leituras e consumos, sabores e sentimentos? Pegar fragmentos diversos, interligá-los, achar conexões que façam sentido.
Passar a vê-las como sementes é que passou a ser especial, porque percebo que criei pontes de sensações ao longo de muitos anos que, olhando agora do alto, fazem sentido na construção de uma identidade que é minha. Eu organizo pra compreender, eu compreendo um sistema pra me organizar.
É, de fato, mais que um jardim, como é citado no texto, mas um ecossistema.

E é realmente um desafio expandir além da coleta e catalogação de sementes. Em um universo digital, faço um movimento de pinça e vejo a semente plantada, vejo as raízes e dou um zoom out, vejo tronco, vejo galhos, vejo folhas, zoom out e vejo um jardim, zoom out, flores e frutos, zoom out, uma floresta, zoom out...

O blog alimenta o Letterboxd.
O Letterboxd alimenta as colagens.
As colagens alimentam as ideias.
As ideias alimentam os desenhos.
Os desenhos alimenta o blog.
O Notion registra tudo.

E, no meio disso, eu vou mudando.
As plantas também.

Mas o jardim continua sendo reconhecivelmente meu.

Por isso que ao pensar no cuidado do meu jardim, eu me sinta tão incomodada sobre envios aleatórios de links e reels que nada tem a contribuir com meu espaço. Nem toda semente precisa entrar no meu jardim, prefiro eu mesma fazer a curadoria do conteúdo que me acrescenta.

Por ora, abrir a janela e olhar a paisagem que eu criei tem sido o que tenho feito de melhor.

Meu canteiro no Letterboxd;
Lá no Pinterest;
O do Cosmos (contém +18).



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quinta-feira, 21 de maio de 2026
Esse é um texto que ensaio há tempos escrever e provavelmente faltará palavras pra escrevê-lo como quero. A cabeça ainda segue enevoada e, bem, esse é pra falar sobre a tentativa de desenevoar. É sobre processo criativo e pausas mentais, sobre sair de telas, se voltar para o analógico, sobre explorar quereres, sobre abrir brechas pra outros interesses e abraçar pequenas coisas e imperfeições, sobre espalhar, ver, rever e produzir beleza ao redor, sobre tentar se sentir bem em meio ao caos, sobre romantizar sua vida.

Romantize sua vida como uma artista

Romantizar é um termo muito atribuído a coisas que se considera ruins, com alerta do perigo de relativizá-las possa causar um grande prejuízo. Isso porque o romântico, em uso comum, é usado para a preferência pela fantasia, pela emoção, pela imaginação, em detrimento da racionalidade. O deixar se encantar pela parte boa da coisa toda e se iludir de que é possível viver dentro de uma nuvem cor de rosa usando um arco-íris de ponte.

Mas amigues, pra vida prestar, é preciso uma grande dose de romance e todas as atribuições que vem com a prática.

Não sei como meus amigos racionais vivem com a vida difícil do jeito que é, mas eu que vejo as coisas de uma perspectiva dramática, eu preciso da distração, da fantasia, do entretenimento como item básico de sobrevivência.

Acho que uma das grandes lutas da minha vida é tentar conseguir o equilíbrio entre razão e emoção. Tenho muita dificuldade em lembrar de todos os compromissos que eu tenho no dia, na semana, no mês, no ano se eu não anotá-los ou fugir deles porque toda burocracia me assombra; Quando preciso ser física e mentalmente presente em alguma situação de conflito, sou drenada de toda reserva de energia que habita o meu corpo e a forma de repor essa energia é me voltar pro máximo de alienação que eu consiga ter naquele instante. Nem que seja olhar pro vazio por 5 minutinhos imaginando um ambiente, situação, companhia totalmente diferentes daqueles que me encontro no momento.

As últimas semanas (digo, os últimos anos, se for analisar direitinho) me forçaram a estar mais presentes numa realidade densa, cheia de problemas familiares e financeiros, doenças e morte. Me tirou o tino da minha capacidade de abstração da realidade. Que era excessiva, eu confesso, mas sair de um extremo pro outro, sem uma preparação do coração, não foi legal.

E me sinto dizendo um "venho por meio desta", em prol do bem-estar e equilíbrio mental dizer: Romantize sua vida, sim. Acenda aquela vela no seu banho, durante a sua leitura; bote um cheirinho bom enquanto você arruma casa; compre flores e enfeite sua mesa, sua estante, sua janela; Sinta o vento ou sol bater na cara, o cheiro da chuva; Faça um escalda-pés; Passe um óleo de banho, um hidratante cheiroso; Faça ou peça uma comida gostosa; Fale sem pressa com aquela pessoa que você gosta; Faça um caminho diferente; Convide um amigo pra sair; Dance e cante no banho (com cuidado pra não escorregar); Sinta as folhas secas se esmagando sob os seus pés; Pesquise um assunto que você gosta e se delicie com um conhecimento que só serve pra você; Assista as nuvens te apresentarem desenhos diferentes (ou os azulejos do banheiro); Comece um hobby novo.

Ou corte revistas, junte resto de embalagem e

Junk journal with me.
Esse é o típico hobby que vai vir alguém e perguntar: mas isso aí, hein, serve de que?


E a gente tenta não dizer que é pra comer cu de curioso, não, a gente responde que serve de nada além de esvaziar a mente, ocupar as mãos, preencher o coração, como qualquer outro hobby que, pra ser hobby, na minha concepção, tem que fazer bem primeiro a quem está a fazê-lo.

Mas o que é journal/journaling?
É a prática de usar um caderno ou espaço digital (como esse blog, aliás) para organizar ideias, seja por imagem ou escrita, com desenhos ou colagens, na categoria que quiser - Bullet journal (BuJo), junk journal, sketchbook, diário de viagem, álbum de fotos, grimório, scrapbook - ou tudo junto, o caderno é seu, se joga. Seja pra escrever diariamente, organizar sua vida em listas, organizar sua coleção de adesivos, colar cacarecos.

Eu, particularmente, tenho experiência com journals desde criança, que sempre fui estimulada pela minha mãe a escrever em pequenos diários e na adolescência quando migrei e comecei a explorar blogs, além da faculdade que me incentivou a manter sketchbooks diversos.

A minha obsessão atual, que ando precisando manter coisas que não me exijam um nível de pensamento profundo, tem sido explorar o junk journal.


Tem sido incrivelmente relaxante cortar papeis, achar padrões, criar padrões, organizando-os visualmente, ter ideias pra novas páginas, pensar em ideias de coisas mais elaboradas, querer ter mais contatos com técnicas analógicas, descobrir e experimentar novas coisas, mexer coisas com as mãos, relaxar o cérebro, voltar pros dias infantis de tempo dedicado a uma atividade prazerosa, fazer coisa bonita, ter dias bons e ver a vida por olhos mais apaziguadores.

Lendo sobre e vendo perfis de design, acabei absorvendo a ideia de que registrar junk é registrar memória gráfica. E eu sou designer gráfico, ô catapimbas (e das velhas). Registrar memória gráfica é uma das minhas tarefas de profissão. Seja numa página feita de colagens de marcas diversas recortadas de embalagens como testar uma nova composição com elementos diversos tirados de várias outras origens que puderam chegar às mãos.

Observar, cortar, compor, colar. Design e arte puros. Beleza em tudo. Romantização da vida.
Essa é a minha vibe atual e eu recomendo.
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quarta-feira, 3 de abril de 2024

Medo da folha em branco

Os tempos de agência publicitária me acostumaram mal. Com o processo de criação atropelado (achatado e inexistente), toda folha em branco ganha um sofrimento a mais. Isso porque o processo de pesquisa inexiste, porque "não há tempo", logo essa partida pra ação que sempre começa de algo pré-existente, semi criado, tira o fator "papel em branco" da criação. Me acostumei a não me deparar com o vazio e quando preciso lidar com ele, sofro.

Veja bem, são 12, quase 13 anos de meio publicitário nesses moldes. O que antes poderia ser uma tensão do começar, agora é um medo paralisante. E paralisa. Deveria ser diferente, o tempo de experiência poderia me dar know-how de criar ainda mais rápido, mas não quando o próprio trabalho é castrador.

Uma das lutas diárias é desatar esses nós e urge no peito a necessidade disso.
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