𝚃𝚑𝚎 𝚗𝚊𝚖𝚎 𝚘𝚏 𝚊𝚗 𝚎𝚡𝚝𝚒𝚗𝚌𝚝 𝚜𝚝𝚊𝚛 𝚎𝚌𝚑𝚘𝚎𝚜, 𝚌𝚛𝚎𝚊𝚝𝚎𝚜 𝚠𝚒𝚝𝚑 𝚜𝚒𝚕𝚎𝚗𝚌𝚎, 𝚜𝚑𝚊𝚍𝚘𝚠, 𝚊𝚗𝚍 𝚋𝚛𝚒𝚐𝚑𝚝𝚗𝚎𝚜𝚜.

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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

BEDA | Wicked

Quando eu assistia lá um filme por dia, eu achava minha vida horrível e o que via nas telas era uma grande fuga do real. 

Sorrir, chorar, sofrer por algo que não era meu? Sempre foi a melhor coisa. 

Sempre achei isso uma possibilidade muito poderosa. Mais que outras, o cinema acima das outras sempre foi minha mídia favorita. 

Por um tempo, eu perdi a capacidade de fazer isso fluir. A realidade ficou mais cruelmente latente que qualquer ficção que eu pudesse tentar invocar. 

A vida sem fantasia é insuportável.

Hoje eu senti essa suspensão da minha realidade por 2h40 e, olha, bem-vindo de volta e volte mais vezes.


***

Resgatado dos arquivos do Bear Blog: 

title: Wicked
link: wicked
published_date: 2024-11-28 14:43

Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS, criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. Esse é um tema de agosto (BEDA 2026 - Guardiões da Blogosfera) E é possível ler o que a galera anda escrevendo por aqui.


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terça-feira, 4 de agosto de 2026

BEDA | O que fazemos com a ausência

CW: Cita morte, luto. 

Quando ocorreu o último Oscar eu estava no olho do furacão. Eu, que não sou de festas, trato o Oscar como o meu Carnaval. Todos os anos faço maratona dos indicados e tem todo um ritual de acompanhamento do evento. Neste não consegui por estar em hospital.

Aos poucos venho vendo os filmes que perdi na época e dois deles me falaram bastante que eu deveria ver com cuidado, pois situações similares. Um foi o If I Had Legs I’d Kick You, que fala sobre uma mãe sobrecarregada com os cuidados médicos da filha e, em situação extrema, pira e taca o foda-se pra tudo. 

Confesso que esse não me pegou tanto assim. Vai ver, mesmo estando em um extremo cansaço ao cuidar de três idosos em graus diferentes de dependência e doenças, não consegui me comover tanto assim com a história, com os personagens, com as atitudes.

Até pensei, na época que vi, que a gente que vive em situações de privação do próprio tempo por cuidado aos outros acaba caindo na armadilha da comparação e é preciso muita força pra não se deixar levar por um campeonato de sofrimento. E não é só questão de querer, de ter consciência, tem muito sentimento envolvido.

Já o outro filme eu peguei pra ver nesse fim de semana, o Hamnet. Me disseram que eu, chorona que sou, iria me desfazer em lágrimas vendo esse. E, confesso, rolou uma choradinha, mas não, não me desfiz.

Mas no caminho pro trabalho vim matutando sobre as similaridades de situações que envolvem o luto. Porque, o filme parte da perda de um filho e da forma como essa dor ecoa na criação de Hamlet.

Devo avisar que a partir daqui há spoilers.

Na história, a mãe acompanha a doença, o agonizar final, a morte, enfim, de um filho. E, enquanto pessoa que acompanhou os últimos dias do meu pai, ainda que não o momento da morte, mas o sofrimento agonizante - e aqui evitarei gerar imagens mentais gráficas - senti uma dor muito particular e revolta por quem deveria estar ali comigo e não estava. É uma solidão que causa dor física.
As pessoas me repetiam o mesmo que repetiam pra Agnes, sobre ela ter feito tudo o que podia, mas não era isso que eu queria ouvir, eu queria não ter estado sozinha pra tanto. E a culpa que ela atribuiu ao William, seu marido, de não ter estado presente, foi algo que, não diretamente, também atribuí ao meu irmão.

Das muitas vezes que ele chegou perto de morrer na minha frente, eu estive só. E tive raiva, revolta, tristeza, medo.

Por um ano, Agnes afastou o marido e todo o seu sucesso enquanto dramaturgo em Londres. Até descobrir que ele não lançaria uma comédia, mas um drama com nome similar ao do filho. Então ela vai até lá pra ver pessoalmente a peça, onde o filho estaria encaixado, como o marido usaria o nome do filho.

Em algum momento, minha cunhada me falou o quanto o meu irmão estava sofrendo. Das crises de choro, do sentimento de culpa em me deixar só, em não poder estar presente por morar em outro estado, por não poder fazer mais.

Agnes percebe que William colocou todo o seu amor e despedida por seu filho na peça. Foi o jeito dele de canalizar as emoções e demonstrar que a falta dele ressoava presença de outra forma.

No dia da morte, velório e enterro, meu irmão veio, fez as últimas visitas, cuidou de toda papelada, transporte, burocracia, o que tivesse que ser feito e vi nesse ato o seu Hamlet.

Não foi um filme que me acabei de chorar, como foi previsto, mas entendi o porquê fui alertada de vê-lo com cuidado. Mais uma vez a arte abraçando e explicando os sentimentos confusos que perpassam a mente, salvando a alma, aliviando o coração.

***

É um tanto impossível não voltar a temáticas de luto quando tudo lembra o meu pai. Então, listo pequenas coisas que tenho feito e percebido pra sentir pequenas alegrias:

- O céu cinzento, a chuva constante, o vento gelado. Eu amo agosto. As pessoas são normalmente contagiadas com alegria por dias de sol, eu sou o contrário. Amo sentir frio, me agasalhar, luz amena, recolhimento. Me sinto genuinamente feliz.

Amo essa vista.


- Terminar um desenho e gostar dele. 

- Primeira mordida de algo gostoso. 

- Viciar em um livro.

- Ouvir música após um brownie mágico (ver música, gostoso demais).

- Conversar por horas sobre um assunto que não tem fim.

- Receber mimos mensais (assinaturas da TAG e da revista SuperInteressante).

- Cacarecos.

- Organizar coisas em listas.

- Passar na sessão de papelaria e encontrar pequenos tesouros.

- Café das 17h com minha mãe aos sábados.

- Domingos de manhã na cama.

A arte ajuda a organizar a dor e o resto eu vou anotando em listas.

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segunda-feira, 27 de julho de 2026

[Tag] Todo hobby é uma porta

Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. Esse é o de julho (Um passatempo antigo, algo que você gosta de fazer atualmente ou até comece um novo).


Falar de hobbies é entrar num caminho longo por aqui, como entrar num labirinto que vai mudando o caminho enquanto você o adentra. Porque, olhando para trás, percebo que nenhum hobby ficou parado no tempo. Todos foram mudando de forma e acabaram construindo quem eu sou hoje.

Mas vamo lá voltar ao início quando a Keith menor foi estimulada a desenhar e criar com diferentes materiais? Bora. E a ler? Também! E a varar madrugadas ou se recusando a ir dormir enquanto assistia filmes com o pai? sim! E quando familiares ensinaram despretensiosamente a tricotar e crochetar? Vamosss.

E aí vou me segurar pra falar apenas dos antigos sem deixar que os novos, ainda que uma coisa ligue a outra, atropelem. Porque hobby is my passion.


Leitura

Como comentei em outro texto, minha mãe gosta de contar que eu e meu irmão aprendemos a ler com 3 anos de idade. E vendo esse interesse desde pequenininhos, ela sempre estimulou com gibis da turma da mônica e do Pato Donald, que amávamos; Também eventualmente pegava livros infantis na revista da Avon, que era revendedora além de comprar enciclopédias e ter assinatura de revista como Recreio. Eu amava.

Era super ratinha da biblioteca da escola e também da cidade. Na escola, fiz amizade com a bibliotecária de e ela me indicava leituras. Tenho livros favoritos ainda dessa época, como David Copperfield e, suspeito, que foi bem aí que desenvolvi meu gosto pelo gênero bildungsroman. Já a antiga biblioteca daqui (da cidade que ainda moro) era um dos meus lugares favoritos da adolescência. Correr pra lá com meus amigos de escola e ficar perambulando entre os corredores, com cheiro de livro velho e com aquelas janelas imensas, mas que ainda fazia entrar uma luz enviesada, me dava um sentimento de tardes infinitas que nunca mais recuperarei.

Também tive uma adolescência inundada de revistas que minha madrinha nos dava. Super Interessante, História, Mundo Estranho, eu amava tanto.


Algumas professoras do meu irmão sabia do nosso gosto por leitura e, vez em quando também nos emprestava alguns. Lembro que foi aí que tive acesso a Paulo Coelho.

Meu irmão também chegou a imprimir livros na impressora do estágio pra ler em casa e pegar livros na faculdade pra mim.


As vezes eu ia pra cybercafés só pra baixar inúmeros pdfs, encher pendrives de livros e organizar pastas por gêneros ou passava horas lendo no computador sem internet e na rua pelo celular.


A possibilidade de adentrar vários espaços inacessíveis, conhecer várias pessoas e viajar sem sair do lugar, muitas vezes varando a madrugada a luz de lanterna ou levando o kindle pra ultrapassar fronteiras e desafios comigo pra me sustentar nos momentos mais difíceis, não tem preço. A leitura me salvou, salva e, espero, sempre salvar.


Sigo me organizando lá pelo Goodreads


Filmes


Assim como o cinema.
Em momentos de maior tempo livre, eu basicamente assistia um filme por dia. Com muita saudade dessa época. Apesar de amar leitura, sempre achei que nunca consegui chegar tão perto de viajar sem sair do lugar como quando assistia filmes. Atribuo isso, talvez, ao fator de ter um grau de afantasia meio alto que não me deixa visualizar claramente imagens na mente e sinto que adaptações da literatura é o complemento perfeito para conseguir o mais próximo de enxergar mentalmente.


Meu pai amava filmes. Na infância, eu só ia dormir quando ele ia dormir e me carregava pra cama. Filmes de kung fu, quebradeira e faroeste eram os seus favoritos e, ainda que meu gosto não tenha seguido por esse caminho, foi o meu grande começo. Ele se encantava sobre como os filmes eram feitos e consumia muitos DVDs piratas e passava os dias assistindo além de falar com carinho de frequentar os cinemas de rua que existiam em Caruaru.

Na adolescência, só com acesso a televisão de sinal aberto, o meu ponto alto do ano era a divulgação de grade de filmes do ano da Globo, assim como amava to-dos os programas de filmes, da Sessão da Tarde ao Corujão. Varei muita madrugada ligando pro 0800 do Intercine pra votar em qual seria o filme do dia seguinte.

Era frequentadora semanal da locadora, gravei muito filme em VHS da tv, frequentei muito cinema de rua - não muito adepta dos cinemas de shopping, apesar de amar o ambiente - e muito adepta de acompanhar premiações.

Hoje em dia continuo amando, mas conciliar obrigações de vida adulta com o gosto por cinema tem sido complicado. Não mais um por dia, mas sinto encaixando alguma viagem cinematográfica no meio da semana.



Sou apaixonada em organizar listas e vistos lá pelo Letterboxd


Manualidades têxteis

Uma forma de otimizar o tempo e fazer duas coisas ao mesmo tempo é fazer um crochê ou bordado enquanto assisto algo fácil de entender. Aí, confesso que me jogo mais nas séries que em filmes, que não me perco no contexto caso eu precise tirar os olhos da tela de tempos em tempos.


É sintomático que hoje em dia pra conseguir manter tantas coisas eu acabe fazendo várias ao mesmo tempo e reclamando depois que a mente está cheia e exausta, mas, sendo sincera, acho a conciliação dessas duas coisas ainda gostosa de fazer.

Quando criança, aprendi com familiares pontos básicos e preferia até o tricô, mas era péssima (me faltava acesso) pra conseguir construir peças de cabeça. Com minha prima, desenvolvi mais o crochê, porque ela aprendia em outro lugar e me ensinava. Acabei retomando recentemente, agora com acesso (beijos, internet), seguindo tutoriais e me desafiando a começar e terminar peças, a presentear pessoas, a fazer peças de roupa pra mim. E amo cada uma delas e tenho uma lista de coisas mais que ainda quero fazer e aprender.


E com o bordado, o que seria mais se não uma extensão da pintura? Já na faculdade de design, vendo as mil possibilidades de aplicação, comecei a fazer meus primeiros testes. Durante a pandemia foi quando mergulhei e expandi possibilidades com pedrarias, pontos diferentes, texturas diferentes. Sempre gostei, na pintura, de testar materiais diversos e vi uma grande porta pra isso no bordado, podendo juntar os meus desenhos, o meu universo, também nos tecidos.

O que também requer tempo e, apesar de amar todos os meus hobbies - esses que se mantiveram, e também os novos, eu preciso escolher minhas lutas. 

Esses foram alguns dos resultados de muitos, diversos bordados que fiz, aplicando ilustrações no tecido durante o desafio de outubro chamando Stitchtober:

Bordado feito para o desafio mensal Stitchtober, baseado na obra literária "Serpentário".

Bordado feito para o desafio mensal Stitchtober, com elementos tipográficos baseado em O senhor dos Aneis.

Bordado feito para o desafio mensal Stitchtober, baseado na obra literária "As águas-vivas não sabem de si".

E algumas das minhas peças de crochê favoritas:







Desenho e pintura


Eu desenho desde criança. Uma das minhas coisas favoritas de desenhar eram croquis de roupas impraticáveis. Minha vó dizia que eu seria estilista. Mas entre roupa e gente, eu gostava mais de desenhar gente, retratos, em especial.

Retrato digital, Billie Eilish, 2021.

Retrato digital, Donna Missal, 2021.


A minha escolha por meu curso superior, quando eu achava que queria publicidade por gostar de fotografia, foi por "saber desenhar", como todo mundo dizia que eu sabia e me incentivava a escolher o design. Que, pra minha surpresa e decepção, não precisava saber desenhar pra fazer design. Mas curiosamente me abriu a mente pra interdisciplinaridade da área. Design é um mundo, é tudo, é lindo. O mercado é uma bosta, mas teoricamente, design é lindo. Achava isso enquanto cursava, ainda acho agora.

Foi na faculdade que entendi que não sabia desenhar coisa nenhuma. Também lá que aprendi a pintar, do basiquinho, lápis de cor, pro digital. Foi por lá que passei a ver o porquê nunca tive um hobby de cada vez, porque eles sempre conversaram entre si.

A leitura me ensinou a imaginar histórias que mais tarde desenhei. Os filmes me ensinaram luz, enquadramento e narrativa. O desenho encontrou o bordado. O bordado encontrou a curiosidade pelo têxtil. O crochê me ensinou a paciência e persistência de fazer e refazer.
Cada interesse puxou o próximo como quem segura a mão de alguém num corredor escuro.

Talvez seja por isso que eu nunca consiga responder quando perguntam qual é o meu hobby favorito. Eles não competem entre si. São maneiras diferentes de alimentar a mesma curiosidade que me acompanha desde criança. E, sinceramente, espero sempre me deixar correr por ramificações novas e nunca deixar de encontrar um novo caminho dentro desse labirinto.

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Melhores do ano 2025

Escrevendo da cama onde me encontro chumbada com uma virose, pensei que resumir o que consumi hoje é um agora ou nunca, porque amanhã a vida volta a infeliz realidade de trabalho e rotina louca de afazeres. Com pouca enrolação e pouca coragem:

Melhores assistidos de 2025:


-A ordem é por assistidos, não por favoritos
-Nem todos foram lançados em 2024/2025
-Revistos não entram na lista


1. Flow (2024) - filme, animação, Bélgica.

Indicado e vencedor do Oscar de animação, me ganhou demais aquela arca de noé sem humanos.

2. Terra Estrangeira (1995) - filme, drama, Brasil.

Assisti uma considerável quantidade de filmes nacionais e esse foi o primeiro que me pegou me deixando viciada na música Vapor Barato pelo ano inteiro. E na Fernanda Torres, claro.

3. Conclave (2024) - filme, drama, EUA.

Também indicação de Oscar, Ralph Fiennes como um veio fofoqueiro em meio a escolha de um novo papa não tinha como dar errado. Pra mim, deu certo demais.

4. I'm not a robot (2023) - curta, drama, Bélgica.

Também dos indicados ao Oscar, esse curta me deixou com um medo real e contemporâneo: e se toda a nossa vida fosse uma mentira e a gente fosse um robô?

5. Wander to Wonder (2023) - curta, drama, Bélgica.

Outro curta também indicado ao Oscar me pega sobre o futuro dos personagens de quem cria quando quem os cria não pode mais criá-los.

6. A Lien (2023) - curta, drama, EUA.

Também curta, também indicado ao Oscar, sobre o pavor de construir sua vida em um país de merda como os EUA.

7. Instruments of a beating heart (2024) - curta, drama, Japão.

É um curta documentário, também indicado ao Oscar, que mostra uma garotinha ansiosa e nervosa no treinamento de um instrumento musical e no teste para a sua apresentação. Chorei mais do que era aceitável chorar querendo proteger aquela garotinha de toda a ansiedade que o mundo pode causar, mas que entendo como inevitável pra vida.

8. Fresh (2022) - filme, terror, suspense, EUA.

Esse me pegou desprevenida e caí na lábia do canibal bonitão tal qual a protagonista. Amei o humor, meu exato tipo de filme.

9. Parachute (2023) - filme, drama, EUA.

Também não esperava ser atingida por esse que fala sobre as consequências na vida e nas relações pessoais quando se trata de distúrbios alimentares. Tinha subestimado a Brittany Snow e amei que essa foi a estreia dela.

10. Dance Life (2024) - Reality, dança, Austrália

A rotina e aprendizado de dança de forma encantadora.

11. My Old ass (2024) - Filme, comédia, EUA.

Filme levinho com questionamentos femininos leves de acompanhar. Divertido.

12. Materialists (2025) - filme, drama, EUA.

Gosto muito em como a Celine Song leva suas histórias. Pode ser facilmente confundindo com uma comédia romântica, mas acho que consegue aprofundar um tanto mais os questionamentos.

13. Girls will be girls (2024) - filme, drama, Índia

Esse eu devo dizer que foi o meu favorito do ano. Gosto de histórias de amadurecimento, especialmente femininos, e toda a relação dela com distribuições de poder, relacionamento amoroso, familiar, amizades e sentimentos e descobertas foram, ao meu ver, mostrados de forma perfeita.

14. Breathe (2014) - filme, drama, suspense, França.

Aqui eu já tava na fase do ano em que tava rendida ao girlhood. Fui esperando uma bela amizade entre mulheres, o que aconteceu, mas não só isso. Fui impactada.

Em resumo, vi um total de 128 filmes/séries/realities, sendo esse os maiores destaques. Poderia até mencionar Yellowjackets como uma boa surpresa, mas acho que gostei mais da premissa que do desenvolvimento - também indo no aspecto girlhood da coisa. Nesse ano também consegui dar uma pluralizada nos assistidos, tendo 50 deles não sendo dos EUA. E só do Brasil foram 15 (considerando filmes, séries e realities). Também considero um número bacana os filmes dirigidos por mulher, foram 24 (número esse que espero aumentar). Foi um ano interessante.

Agora, pra livros a coisa foi mais intensa do que tinha planejado, porque pensei que não leria mais que uns 12. Mas, ó:

Melhores lidos de 2025:


-A ordem é por lidos, não por favoritos
-Nem todos foram lançados em 2024/2025
-Relidos não entram na lista


  1. Flicts (Ziraldo)
  2. Vidas Secas (Graciliano Ramos)
  3. A metamorfose (Kafka)
  4. Holocausto Brasileiro (Daniela Arbex)
  5. A cabeça do santo (Socorro Acioli)
  6. Paula (Isabel Allende)
  7. A redoma de vidro (Sylvia Plath)


Foram um total de 33 lidos, entre livros e HQ's com gêneros diversos, mas com destaque para clássicos. Apesar de ter gostado bastante das minhas leituras do ano, saio sem um grande favorito e um tanto sem norte pras próximas leituras.

Vou recomeçar a rotina e sentir ainda o que o corpo e o juízo querem pra metas e vamo lá 2026.
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quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Meu pai não me salvaria num apocalipse zumbi

Um dos filmes que vi esse fim de semana foi 'Train to Busan' (2016) que seria mais um filme de zumbis se não fosse o viés de explorar relações familiares. Acompanhamos uma pequena aniversariante de 8 anos que mora com o pai e a vó, o pai distante pelo excesso de trabalho e, triste, ela insiste em passar o aniversário com a mãe em Busan. Eis que um temido-por-todos apocalipse zumbi acontece bem quando eles estão no trem a caminho.

O pai vai recebendo lições ao longo da viagem que o faz perceber que a escolha dele de se priorizar, de exercer o egoísmo como uma ferramenta de conquista do sucesso financeiro e profissional, o fez perder em relação mais do que ganhar. Afinal, se separa da esposa, entristece a filha, vive em prol de trabalho. E, chamado a atenção pela filha, entende com custo de que em momentos de caos, ou há uma união pelo todo ou não há salvação pra ninguém.

Assistindo o filme e pensando na minha vida nos últimos anos, percebendo os principais pontos de conflito no meu núcleo principal familiar, cheguei na péssima constatação de que: meu pai não me salvaria num apocalipse zumbi.

Eu sinto que ele estaria entre os personagens que entram num vagão e impedem outros de se salvarem. Que se só houvesse espaço pra um, seria dele. Se tivesse que me jogar pra uma horda de zumbis me atacar, ele não pensaria duas vezes.

Porque, afinal, de todos os sacrifícios que fiz pelo bem dele, a forma de retribuição não vem nem em um simples "obrigado", ou nem na percepção de que reconhecer que eu, enquanto filha, sinto dor, cansaço, tristeza, desânimo, que preciso de um tempo, que preciso de espaço, preciso de distância. Que não sou uma mera existência pra servir.

É cruel, talvez, pensar assim. Mas estando no estágio da nossa trajetória atual, depois de nossas discussões e assistindo todas as omissões dele, me vem mais a certeza de que não, ele não me salvaria. Ele não pararia pra pensar em se sacrificar pra me salvar e, ainda digo mais, ele seria como um dos personagens que, quando se vê infectado, não se importaria em me infectar também.

Espero, com uma esperança ínfima, estar errada.

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sexta-feira, 19 de abril de 2024

Não quero mais indicações

Eu quero ler os livros que comprei, que me organizei pra ter, que eu achar por conta própria. Os álbuns que adiei, aqueles que descobri e descobrirei, eu quero ouví-los por mim. Os filmes, as séries, aqueles que fazem sentido no meu momento de vida, os que encontrei, os que vou encontrar.

Em hobbies, quero me jogar naqueles que eu sentir que meu corpo e minha alma se encontram. Sem cobrança de qualidade, sem pressa.

Sem indicações furando todas as minhas filas, minhas organizações, meus eus.

🎵 This time I wanna drive
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terça-feira, 2 de abril de 2024

Anatomia de uma queda

Quando eu vi esse filme, não dei a importância aos simbolismos que poderia ter dado. A pressa do Oscar meio que mata esse degustar calmo da lista preenchida. Então o monólogo da Sandra bateu, mas não bateu tanto quanto vem batendo nos últimos dias.

É quase um ritual anual chegar a essa altura do ano com uma melancolia pertinente. Ano após ano, a sensação de ser insuficiente, de estar perdendo tempo, de não conseguir avançar e de estar presa se intensifica ainda mais. Acho que é mais ou menos na época em que o gás de mudança e renovação da virada do ano vai acabando e vai sobrando só a realidade de que, é, mais um ano eu ainda tô aqui estagnada e com leves e pesadas pioras.

Nesse fim de semana, proferi a frase "Enquanto meu irmão levanta cedo pra correr na praia (algo de sua própria escolha, em prol de si), eu levanto pra trocar fralda da minha vó (algo que não escolhi, mas caiu pra mim por consequências). Ai, a vida...". E ao falar isso, veio o discurso do filme me atingir em cheio no peito e me aumentar a sensação de culpa.


"Você reclama da vida que você escolheu! Você não é uma vítima. Nem um pouco. A sua generosidade esconde algo mais sujo e mau. Você é incapaz de enfrentar suas ambições e fica ressentido comigo por isso. Mas não sou eu que te coloquei onde você está. Eu não tenho nada a ver com isso! Você não está se "sacrificando" como você diz! Você escolhe se colocar de lado, porque você tem medo! Porque seu orgulho faz sua cabeça explodir antes de você conseguir pensar no rascunho de uma ideia! e agora você acorda aos 40 anos e precisa de alguém pra culpar! E a culpa é sua! Você se paralisa pelos seus próprios princípios e seu medo de falhar! Essa é a verdade."


E aí veio uma tempestade de questões que estão martelando aqui. A culpa mora no fato de não ter conseguido resolver minha vida antes de ser presa por ela. Como resolvo agora? Como saio da armadilha? Como lido com a culpa que possa vir depois? Por que eu não posso desistir? Por que eu tenho tanto medo das consequências de mudança? Por que eu não tenho a coragem que meu irmão tem? Chegarei eu aos meus 40 procurando alguém pra culpar? E o que fazer com esse sentimento de que já acabou meu tempo?

Algumas dessas questões invocam outras questões e possivelmente poucas respostas.

Pra complementar, vi um trecho de uma entrevista de uma das participantes do BBB quando eliminada, e ela dá uma fala performática sobre como não ter como competir com pessoas mais jovens - sendo ela com 33 anos. Entendi tanto que doeu.

E as falas seguem doendo. Anatomia das nossas quedas.
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Resumo | 2023

Consumi muito pouco, no geral. Consegui cumprir muito pouco o que me propus, mas resolvi destacar alguns deles, ainda assim, pra tentar manter um pouco do meu senso de normalidade.

░░ Livros ░░

Como li poucos, coloquei todos que li com uma avaliação média em estrelas das leituras que gostei. Boas leituras, mas poucas. Ou poucas leituras, mas boas. Dependendo do ânimo do dia.O amor nos tempos do cóleca (Gabriel García Marquez) - ★★★★
Homens sem Mulheres (Haruki Murakami) - ★★★★
Relatos de um gato viajante (Hiro Arikawa) - ★★★
A Rosa de Sarajevo (Margaret Mazzantini) - ★★★★
O Papel de Parede Amarelo (Charlotte Perkins Gilman) - ★★★★★
Dom Casmurro (Machado de Assis) - ★★★★
A publicidade é um cadáver que nos sorri (Oliviero Toscani) - ★★
Estou feliz que minha mãe morreu (Jennette McCurdy) - ★★★
Nos olhos de quem vê (Helô D'Ângelo) - ★★★★★❤︎
Fim (Fernanda Torres) - ★★★★

Deixei algumas leituras interminadas que não sei se retomarei em breve. Entrarão na lista futura de quando terminá-las, espero.

░░ Filmes ░░

Filmes eu venho fugindo rapidamente do meu atual de ver muitos de forma constante e a memória não anda ajudando a lembrar dos meus favoritos, mas citarei alguns que consegui selecionar como destaque.Aftersun (2022)
The menu (2022)
RRR (2022)
The banshees of Inisherin (2022)
Babylon (2022)
Beau is afraid (2023)
Barbie (2023)
Sorry we missed you (2019)
Delicatéssen (1991)
So long, my son (2019)
Rotting in the sun (2023)
Saltburn (2023)

░░ Podcasts ░░
Bobagens Imperdíveis (Aline Valek)
O Assunto (Natuza Nery)
Meus discos, meus drinks e nada mais (Bruno capelas)
Chutando a escada (Ep.: SOAD e o genocídio armênio) (*Filipe Mendonça e Geraldo Zahran)
Rádio Novelo

Espero, com pouca esperança, um 2024 mais preenchido.
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