𝚃𝚑𝚎 𝚗𝚊𝚖𝚎 𝚘𝚏 𝚊𝚗 𝚎𝚡𝚝𝚒𝚗𝚌𝚝 𝚜𝚝𝚊𝚛 𝚎𝚌𝚑𝚘𝚎𝚜, 𝚌𝚛𝚎𝚊𝚝𝚎𝚜 𝚠𝚒𝚝𝚑 𝚜𝚒𝚕𝚎𝚗𝚌𝚎, 𝚜𝚑𝚊𝚍𝚘𝚠, 𝚊𝚗𝚍 𝚋𝚛𝚒𝚐𝚑𝚝𝚗𝚎𝚜𝚜.

terça-feira, 31 de outubro de 2023

Kinktober - 2023

 Primeiro ano que aderi ao Projeto Kinktober como desafio de desenho de outubro e, assim, eu amei.

Alguns dos meus desenhos favoritos do ano:


CW: contém nudez e atos sexuais. Entre por sua conta em risco.

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amadurecimento

Há alguns poucos anos era totalmente improvável que a eu adolescente tivesse coragem e principalmente tranquilidade de lidar com situações de mínimo confronto, de abordagem interpessoal, de autonomia.

Tudo que fiz, num período zumbinesco, foi plenamente movido a subserviência, abnegação e tentativa de agradar outros.

A Keith adulta pós-30 tem experimentado situações de autodescobrimento tão refrescantes quanto perturbadoras, sem perder a cabeça, que tem causado surpresa tanto a mim, quanto aos que me rodeiam.

A gente cobra o tempo todo amadurecimento pós os vent'anni, mas coisas que ninguém te conta é que esse sentimento e construção nunca para de chegar, ele só vai ficando mais fácil de lidar porque deixa de ser desconhecido.

Tem sido pertubador, mas refrescante. E apesar da vontade de morrer, habita também a vontade de viver e isso é novo e interessante, por ora.
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Dia

Minha nova rotina consiste em levantar, tomar banho, me arrumar e sair com o cachorro pra passear. Em dias de estresse, sair com ele é um enorme contratempo. Em dias, digamos, bons, dá pra aproveitar o caminho.

E aí quando paro pra observar meu caminho eu lamento não conseguí-lo mais. Tenho a sorte de morar num lugar arborizado, tranquilo, espaçoso. Mal conservado, mas tem seu charme. Os pedregulhos deformados pelas raízes do calçadão dão uma sensação íngreme de um caminho antigo. No caminho, vizinhos colocam xerém pros passarinhos - e tem muitos deles, pardais, anuns, rolinhas - e é prazeroso de vê-los, primeiramente comendo e em seguida tomando banhos de areia. Mais a frente, as árvores antigas se curvam e se encontram formando algo similar a uma clareira que sempre me invoca a vontade de abrir uma cadeira de praia, sentar de pernas cruzadas com um livro ou um cavalete com uma pintura em andamento e deixar o tempo passar. Nessa época, o tempo vai esquentando e as pequenas folhas vão caindo e formando um caminho amarelinho pontuado com algumas folhas laranjas de outras árvores e algumas flores de outros pequenos pés. À noite, saindo com ele pelo mesmo caminho, a luz em desfoque no chão é substituída por um caminho escuro, mas ainda pontuado de folhas secas no chão que cantam quando pisamos em cima e os passarinhos são substituídos por morcegos dando voos rasantes à frente. Eu, que gosto de uma estética macabra, fico encantada.

Poderia me maldizer dos problemas da vida, mas é uma boa distração, é adorável e me faz desejar tanto, tanto uma vida mais tranquila onde tais coisas não passem de um borrão da correria diária.
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quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Reflexão sobre sorte



Eu nunca me considerei uma pessoa de sorte. Talvez tenha escapado de algumas situações com golpes sortudos, mas de sorte, não, nunca. Mas em muitos momentos eu me considerei pessoa de má sorte, que eu chamava de azar antes de passar por azar.

Sempre fui uma pessoa que coloquei emoção demais nas coisas, sofri demais, canalizei o ser canceriana pela essência do canceriano, o sentir, e pelas vezes que não senti o quanto deveria sentir, me achei uma fraude. Mas sobre a sorte, começo a pensar sobre o andamento das coisas de 2020 pra cá e tento pesar: não foram anos bons. Foram neles que passei a ver o copo meio cheio para meio vazio? Quantas vezes, especialmente nesses últimos 3 anos não bateu a sensação “nossa, mas por quê eu?”, “por que essas coisas só acontecem comigo?”, “acho difícil que as outras pessoas sofram o tanto que eu sofro?” mesmo que involuntariamente. Lutar contra esses sentimentos, penso, ser uma luta de muita gente e, como gente, eu também caio nessas armadilhas.

Mas ainda acho curioso o meu carma imediato e aí que sempre morou a minha desesperança de ser uma dita pessoa sortuda ou fugir da linha e contrariar o universo.

Em 2023, com retomada de um governo sensato, tenho tentado voltar a ver o copo ser meio enchido e ver as coisas com mais leveza que me impus nos últimos anos. Preciso, muito, respirar leve. E refletindo sobre a música Life’s gonna kill you (if you let it), me pega demais que, sim, todas as vezes que deixei a vida me matar, eu deixei e não estou disposta a deixar novamente.

Outra coisa também importante que a música me trouxe, foi que eu preciso de parar de achar que o carma imediato, que as faltas de sorte cotidianas são um complô para uma vida ruim. Eu preciso usar das armas que tenho, com a força e energia que tenho para fazer minha vida funcionar. Minha vida só vai me matar se eu deixar e este ano não estou disposta a deixar.

I gotta be honest you have to find solace you gotta find something in what you've got and don't got


 

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