𝚃𝚑𝚎 𝚗𝚊𝚖𝚎 𝚘𝚏 𝚊𝚗 𝚎𝚡𝚝𝚒𝚗𝚌𝚝 𝚜𝚝𝚊𝚛 𝚎𝚌𝚑𝚘𝚎𝚜, 𝚌𝚛𝚎𝚊𝚝𝚎𝚜 𝚠𝚒𝚝𝚑 𝚜𝚒𝚕𝚎𝚗𝚌𝚎, 𝚜𝚑𝚊𝚍𝚘𝚠, 𝚊𝚗𝚍 𝚋𝚛𝚒𝚐𝚑𝚝𝚗𝚎𝚜𝚜.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

[Tag Entreblogs] Por trás do blog

Essa é a minha primeira postagem usando uma tag do Entreblogs, e escolhi essa que é a primeira sugerida ♡

Quem é você fora do blog?

Nossa, como demorei pra responder essa pergunta. Sempre que começava a digitar, algo acontecia, minha mente dispersava e adeus foco. O que já responde muito sobre mim.
Mas respondendo, fora do blog, tenho 36 anos, eu sou filha e neta cuidadora, provedora de um triplex onde moram - além de mim, minha mãe e vó - 13 gatos e um cachorro. 

Sou designer por formação e isso, de certo, alimentou minha alma criativa, gambiarreira e testadora. Por que limitar meus interesses pra um tipo de material, técnica, atividade só se posso usar todos eles, ou melhor, misturar todos, não é mesmo? E nisso eu gosto de explorar manualidades diversas quando o tempo é bondoso. 

Trabalho no mercado publicitário como designer gráfico e devo confessar que não é uma das minhas coisas favoritas da vida. 

O que eu gosto é de calmaria, silêncio, frio, poucas companhias, snacks e meus bichos. 
No mundo real, eu falo muito menos do que escrevo e minha desenvoltura de fala é péssima.

Me chama de artista, volta e meia e, pessoalmente, eu reluto a assumir o título, mas lá no fundo eu fico toda fofa e orgulhosa das coisas que eu posso fazer com minhas mãos. Algumas dessas coisas virão pro blog, outras, seguirão só fora dele mesmo.

Qual é a história por trás do seu blog?

Eu tenho blogs na internet desde a adolescência e sempre foi um meio que me deixou feliz. Migrei de plataforma em plataforma buscando o sentimento de coração preenchido e, assim, acabei voltando pro blogger, plataforma que usei lá atrás quando me meti com HTML antes mesmo de saber que estudaria design.

Eu sigo achando que a prática de desabafo por escrita foi o que me sustentou na vida. Que me salvou nas piores fases - inclusive quando tive um outro blog chamado Backdrop of Blue numa fase onde eu fazia as pazes com a melancolia.

Antes daqui, eu mantive duas plataformas: Tumblr, para depósitos artísticos e um Bearblog pra os textos-vida e acabei sentindo a necessidade de não separar mais essas duas partes, já que constatei que se retroalimentavam. Trouxe novamente pro Blogger o que senti fazer parte da fase que estou agora e recomecei, agora, com as duas partes unidas, ainda em construção. E coloquei elementos de nostalgia, como estrelinhas no cursor. Foi como voltar pra casa.

Como funciona seu processo criativo e escrita? Você tem algum ambiente criativo? (rotina com o blog, por exemplo)

Caótica. Não tem outra palavra.
Eu até tento me organizar com jardins digitais e listas e mais listas, mas ainda sinto que minha organização é uma procrastinação do processo. No geral, meu jeito de criar, seja texto, seja arte, é ir jogando tudo no caldeirão, ir mexendo e tomar a poção quando tiver bem quente. Desculpem, sou adepta de metáforas até demais. Mas quis dizer que, em algum momento, uma ideia vai se fixar loucamente na minha cabeça e eu nunca terei paz enquanto não realizá-la.

Não é um processo que recomendo. Instável demais.

Um fato aleatório que você considera intrigante. (literalmente, qualquer coisa)

Abelhas que procuram flores pra descansar, dormem de 5h a 8h por dia com o bumbum pra cima e as anteninhas arreadas. Sério. 

Indique um ou mais blogs e compartilhe o que mais gosta neles.

https://www.arantchans.com - Conheci a partir do Listography e acho absurda de inspiradora;
https://trilux.org - Augusto sempre trazendo boas reflexões;
https://alinevalek.com.br - O tempo é pouco pra o tanto de coisa dessa mulher que queria consumir;
https://melinasouza.com - Acompanho há muito, muito tempo e sempre me causa uma nostalgia boa;
https://agapysjournal.substack.com - Sempre boas, ótimas leituras
https://meusdiscosmeusdrinks.substack.com - Apesar de não beber mais, amo os textos do Bruno Capelas.
https://fluxocriativo.substack.com/ - Jupiter sempre com referências inspiradoras

E segue mais alguns lá no Blogroll. ♡

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sábado, 6 de junho de 2026

Paisagens que construí sem perceber

CW: excesso de metáforas.

Há algumas semanas eu venho tendo um incômodo sobre o excesso de consumo e conteúdo. Nos últimos anos, como recorro a comentar, passei muito tempo presa apenas na absorção de conteúdos e na vontade de fazê-los devido a recorrências hospitalares e cuidados aos meus. Agora que me encontro com mais tempo considerável disponível, quero atirar para todos os lados, realizar tudo, mas ainda me encontro insegura na realização e presa no consumo.

Não que eu ache que consumir conteúdo seja ruim, longe disso. Eu amo consumir bons conteúdos e vê-los crescer em mim como referências. Amo ver gente compartilhando um pouco de si, de forma autêntica. Amo a troca de bagagens de vida. No entanto, o desafio de se propor a realizá-los, apesar de gostoso, é um desafio. Requer tempo, disposição, dinheiro e coragem de errar. Consumir sempre será mais fácil.

Daí nessa movimentação de se colocar na ativa, tenho ficado imersa na colagem de papeis em cadernos velhos diversos, entrei num clube de livro presencial, rediagramei e atualizei este blog, tenho organizado melhor meu listography com coisas que tavam enevoando a minha cabeça e sem um destino de organização certo. Também organizei minhas listas do letterboxd por cores e tenho atualizado coisas relativas à abertura da minha lojinha. Preciso ainda atualizar meu Notion que, modéstia à parte, já acho belíssimo.

E aí me deparei esses dias, no equilíbrio de consumo de conteúdo alheio, com esse texto que fala sobre a construção de Jardins Digitais e minha cabeça deu várias pequenas explosões ao perceber que nessa divisão citada entre sementes, árvores e frutos, eu já venho catalogando sementes e plantando-as há muito, muito tempo sem perceber ou sem pretensão de construção de um jardim ou da ordem que deve ser.

https://agapysjournal.substack.com/p/consumir-como-artista-construindo

Pensei ser só uma viciada em organização digital e esse sentimento veio muito à tona quando conheci o Notion. Organizá-lo, concentrando minhas referências num canto só, foi extremamente satisfatório. Ali, eu já estava na construção do meu jardim sem perceber. Quando resolvi organizar minha estante de livros por cores, percebi que não era só uma questão digital e o sentimento se consolidou no processo de organizar pedaços de papel no junk journal e colá-los por tipos de cores, de texturas, de formatos. 
Pra todas as vezes que desejei uma penseira, eu fui lá e construí uma. Ou várias. Me identifiquei como uma curadora cromática e entendi que todas as minhas coletas não eram desvios de atenção ou procrastinação, como tantas vezes julguei, mas parte da minha identidade o tempo todo.

E fiquei pensando sobre o que envolve ser um curador. 
Minha cabeça fez muito trocadilho entre "curar arte me cura" e "cura.dor". Bregas? sim, mas eu gosto porque fazem sentido pra mim, ☺e imagino que o processo de ser curador de referências seja inerente a manter atividades criativas. Afinal, o que seria da nossa bagagem sem as coletas de sensações e olhares, leituras e consumos, sabores e sentimentos? Pegar fragmentos diversos, interligá-los, achar conexões que façam sentido.
Passar a vê-las como sementes é que passou a ser especial, porque percebo que criei pontes de sensações ao longo de muitos anos que, olhando agora do alto, fazem sentido na construção de uma identidade que é minha. Eu organizo pra compreender, eu compreendo um sistema pra me organizar.
É, de fato, mais que um jardim, como é citado no texto, mas um ecossistema.

E é realmente um desafio expandir além da coleta e catalogação de sementes. Em um universo digital, faço um movimento de pinça e vejo a semente plantada, vejo as raízes e dou um zoom out, vejo tronco, vejo galhos, vejo folhas, zoom out e vejo um jardim, zoom out, flores e frutos, zoom out, uma floresta, zoom out...

O blog alimenta o Letterboxd.
O Letterboxd alimenta as colagens.
As colagens alimentam as ideias.
As ideias alimentam os desenhos.
Os desenhos alimenta o blog.
O Notion registra tudo.

E, no meio disso, eu vou mudando.
As plantas também.

Mas o jardim continua sendo reconhecivelmente meu.

Por isso que ao pensar no cuidado do meu jardim, eu me sinta tão incomodada sobre envios aleatórios de links e reels que nada tem a contribuir com meu espaço. Nem toda semente precisa entrar no meu jardim, prefiro eu mesma fazer a curadoria do conteúdo que me acrescenta.

Por ora, abrir a janela e olhar a paisagem que eu criei tem sido o que tenho feito de melhor.

Meu canteiro no Letterboxd;
Lá no Pinterest;
O do Cosmos (contém +18).



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