𝚃𝚑𝚎 𝚗𝚊𝚖𝚎 𝚘𝚏 𝚊𝚗 𝚎𝚡𝚝𝚒𝚗𝚌𝚝 𝚜𝚝𝚊𝚛 𝚎𝚌𝚑𝚘𝚎𝚜, 𝚌𝚛𝚎𝚊𝚝𝚎𝚜 𝚠𝚒𝚝𝚑 𝚜𝚒𝚕𝚎𝚗𝚌𝚎, 𝚜𝚑𝚊𝚍𝚘𝚠, 𝚊𝚗𝚍 𝚋𝚛𝚒𝚐𝚑𝚝𝚗𝚎𝚜𝚜.

domingo, 5 de maio de 2024

Saudade

Senti saudade, bati na porta e anunciei: ei, apareçam, estou com saudade.

E apareceram, não todos, mas apareceram. Não sanou minha saudade, porque parece ser da minha natureza essa constante de viver no passado, mas acrescentou um tijolinho no buraco aberto.

Se amanhã a saudade abrir mais, chegarei eu e baterei na porta novamente.

Desculpa, é que eu sou carente das pessoas que amo.
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quarta-feira, 1 de maio de 2024

Nascimento de uma lembrança

Minha vó achou engraçadíssimo que eu e minha mãe beijamos a testa dela fazendo estalo. “Olha isso! Mas rapaz”, ela exclamou baixinho. E fez um “vem cá” com a mão pra cada uma de nós pra beijar também e tentar estalar.

Ficamos assim por um tempo.

É como ver uma memória se formando, quase um salto no futuro em que diremos “lembra de quando…?”.

O coração parte, né.
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sexta-feira, 19 de abril de 2024

Não quero mais indicações

Eu quero ler os livros que comprei, que me organizei pra ter, que eu achar por conta própria. Os álbuns que adiei, aqueles que descobri e descobrirei, eu quero ouví-los por mim. Os filmes, as séries, aqueles que fazem sentido no meu momento de vida, os que encontrei, os que vou encontrar.

Em hobbies, quero me jogar naqueles que eu sentir que meu corpo e minha alma se encontram. Sem cobrança de qualidade, sem pressa.

Sem indicações furando todas as minhas filas, minhas organizações, meus eus.

🎵 This time I wanna drive
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sexta-feira, 12 de abril de 2024

Dança

Desde o último “salto” de evolução na doença da minha vó (ou última hospitalização) ela demanda uma atenção ainda maior.

Aqui em casa a gente se move como uma dança em torno dela, em nenhum momento fica só, então precisa ser bem sincronizado.

Um sai, outro entra, outro cozinha. Um vai tomar banho, outro fica, outro limpa. Um descansa, outro vigia, outro trabalha.

Minha vida presa numa ciranda.
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sábado, 6 de abril de 2024

Eu, robô?

Eu tenho dificuldade demais em ver vídeo acelerado, porque eu sou lenta. Em muita coisa da vida eu sou lenta, nisso também.

Mas aí como não há tempo hábil pra tudo na vida, coloquei um vídeo aqui acelerado em 1.25x. E toda hora eu fico agoniada porque penso que a pessoa tá falando rápido demais.

Acabo perdendo tempo porque não entendo o que foi dito e eu preciso ficar voltando pra entender bem.

Lendo 'Eu, robô', segundo a 1ª Lei da Robótica de Asimov, por proteção a vida humana, se robôs caem em dilemas insolúveis, eles entram em parafuso.

Pensando aqui no parafuso que é estar cansada do excesso de informação e ficar frustrada com a perda de tempo e consumir mais informação pra suprir o tempo perdido.

Um robô só aguentaria porque excesso de informação não seria um problema, talvez, mas aí quem entra em parafuso é a mente humana com o dilema.
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sexta-feira, 5 de abril de 2024

Pinturas em guache, encadernação e outros











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quarta-feira, 3 de abril de 2024

Dias chuvosos, testes de pintura, silêncio... Outono 🧡






 

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Medo da folha em branco

Os tempos de agência publicitária me acostumaram mal. Com o processo de criação atropelado (achatado e inexistente), toda folha em branco ganha um sofrimento a mais. Isso porque o processo de pesquisa inexiste, porque "não há tempo", logo essa partida pra ação que sempre começa de algo pré-existente, semi criado, tira o fator "papel em branco" da criação. Me acostumei a não me deparar com o vazio e quando preciso lidar com ele, sofro.

Veja bem, são 12, quase 13 anos de meio publicitário nesses moldes. O que antes poderia ser uma tensão do começar, agora é um medo paralisante. E paralisa. Deveria ser diferente, o tempo de experiência poderia me dar know-how de criar ainda mais rápido, mas não quando o próprio trabalho é castrador.

Uma das lutas diárias é desatar esses nós e urge no peito a necessidade disso.
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terça-feira, 2 de abril de 2024

I didn't abandon digital paintings,

I just didn't have time for them anymore. I started this one and didn't progress much further than that.




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Anatomia de uma queda

Quando eu vi esse filme, não dei a importância aos simbolismos que poderia ter dado. A pressa do Oscar meio que mata esse degustar calmo da lista preenchida. Então o monólogo da Sandra bateu, mas não bateu tanto quanto vem batendo nos últimos dias.

É quase um ritual anual chegar a essa altura do ano com uma melancolia pertinente. Ano após ano, a sensação de ser insuficiente, de estar perdendo tempo, de não conseguir avançar e de estar presa se intensifica ainda mais. Acho que é mais ou menos na época em que o gás de mudança e renovação da virada do ano vai acabando e vai sobrando só a realidade de que, é, mais um ano eu ainda tô aqui estagnada e com leves e pesadas pioras.

Nesse fim de semana, proferi a frase "Enquanto meu irmão levanta cedo pra correr na praia (algo de sua própria escolha, em prol de si), eu levanto pra trocar fralda da minha vó (algo que não escolhi, mas caiu pra mim por consequências). Ai, a vida...". E ao falar isso, veio o discurso do filme me atingir em cheio no peito e me aumentar a sensação de culpa.


"Você reclama da vida que você escolheu! Você não é uma vítima. Nem um pouco. A sua generosidade esconde algo mais sujo e mau. Você é incapaz de enfrentar suas ambições e fica ressentido comigo por isso. Mas não sou eu que te coloquei onde você está. Eu não tenho nada a ver com isso! Você não está se "sacrificando" como você diz! Você escolhe se colocar de lado, porque você tem medo! Porque seu orgulho faz sua cabeça explodir antes de você conseguir pensar no rascunho de uma ideia! e agora você acorda aos 40 anos e precisa de alguém pra culpar! E a culpa é sua! Você se paralisa pelos seus próprios princípios e seu medo de falhar! Essa é a verdade."


E aí veio uma tempestade de questões que estão martelando aqui. A culpa mora no fato de não ter conseguido resolver minha vida antes de ser presa por ela. Como resolvo agora? Como saio da armadilha? Como lido com a culpa que possa vir depois? Por que eu não posso desistir? Por que eu tenho tanto medo das consequências de mudança? Por que eu não tenho a coragem que meu irmão tem? Chegarei eu aos meus 40 procurando alguém pra culpar? E o que fazer com esse sentimento de que já acabou meu tempo?

Algumas dessas questões invocam outras questões e possivelmente poucas respostas.

Pra complementar, vi um trecho de uma entrevista de uma das participantes do BBB quando eliminada, e ela dá uma fala performática sobre como não ter como competir com pessoas mais jovens - sendo ela com 33 anos. Entendi tanto que doeu.

E as falas seguem doendo. Anatomia das nossas quedas.
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quinta-feira, 28 de março de 2024

Multichrome

Testing multichrome pencils, this metallic one. Not the best paper for this, but very beautiful. I was enchanted for a while by the shine on the paper.

I've been really enjoying sparkles and *magical* aspects, haha









 

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sexta-feira, 22 de março de 2024

Felicidade

Fonte da imagem



Recentemente tem rolando nas redes a trend de postar uma foto de como se era há 10 anos e fazer o antes e depois com como se está hoje. Sempre que rola essas trends de comparação, eu me entristeço um pouco comigo sobre as escolhas erradas que eu fiz, sobre o que me foi imposto, sobre o tempo que não volta e a atualidade que não melhora e acabo resumindo minha justifica em não participar em: não era feliz antes, não sou feliz hoje.

Falar isso faz surgir comentários como "tudo passa" entre várias elaborações empáticas. Passa, mas ninguém avisa que as coisas que mudam podem mudar pra pior. Que a vida avança e ninguém tem escolha do que é que vai mudar, que talvez o que a roleta de vida sorteia é PLIMPLIM vem duas coisas péssimas agora e uma apenas ruim. Aquilo que tinha de bom vai ter que esperar mais sete anos pra vir novamente e não será legal como da primeira vezzzzPLIM PLIM.

Garoto evangélico me abordou na rua com a seguinte pergunta:


"você está feliz hoje?".


Sei que felicidade não é um fenômeno contínuo, que a grama do vizinho é mais verde, que em tempos de hiper conectividade a comparação é uma armadilha. Eu sei. Mas é o normal contar nos dedos de uma mão aspectos que me deixaram feliz?

Não, eu não estou feliz hoje. Nem fui ontem. Nem fui há 10 anos na trend da foto. Possivelmente não sei na trend dos próximos 10, nem nunca.

Apesar disso, o copo não está vazio, tá até meio cheio.
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terça-feira, 19 de março de 2024

Pausa para dar um jeito na vida

 Nossa, mas de quem foi a ideia de manter um blog pra postar atualizações e testes artísticos, hein? Porque percebe-se o quanto eu tenho falhado em manter isso aqui. E nem é porque não tenho produzido nada, até tenho, mas organizar os arquivos no celular pra postar tem me tomado mais energia que o normal.

Dos tantos arquivos que permeiam a galeria do meu celular, testes com tintas metálicas, diário de filme, livro e série feito à mão, testes com porcelana fria, encadernação de cadernos para guache e aquarela, desenhos à lápis de cor com muitas cores, são algumas das coisas que não consegui atualizar por aqui. Vai ver, preciso testar menos e me organizar mais, no pouco tempo que me resta na correria diária. Talvez assim diminua a frustração. Já já me organizo, espero.
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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Mais uma noite chega



E com ela, a vontade de desaparecer, morrer, se espatifar, ir pras cucuias, virar purpurina - e não de um jeito carnavalesco.

Além das dores e perturbações físicas que me acometem há duas semanas, a frustração da estagnação aperta demais no peito.

Via muito as pessoas reclamarem do sentimento de prisão durante a pandemia. Pois, minha pandemia nunca passou, sigo presa.
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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Hourly Comic Day '24

 





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quinta-feira, 18 de janeiro de 2024


 

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quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Resumo | 2023

Consumi muito pouco, no geral. Consegui cumprir muito pouco o que me propus, mas resolvi destacar alguns deles, ainda assim, pra tentar manter um pouco do meu senso de normalidade.

░░ Livros ░░

Como li poucos, coloquei todos que li com uma avaliação média em estrelas das leituras que gostei. Boas leituras, mas poucas. Ou poucas leituras, mas boas. Dependendo do ânimo do dia.O amor nos tempos do cóleca (Gabriel García Marquez) - ★★★★
Homens sem Mulheres (Haruki Murakami) - ★★★★
Relatos de um gato viajante (Hiro Arikawa) - ★★★
A Rosa de Sarajevo (Margaret Mazzantini) - ★★★★
O Papel de Parede Amarelo (Charlotte Perkins Gilman) - ★★★★★
Dom Casmurro (Machado de Assis) - ★★★★
A publicidade é um cadáver que nos sorri (Oliviero Toscani) - ★★
Estou feliz que minha mãe morreu (Jennette McCurdy) - ★★★
Nos olhos de quem vê (Helô D'Ângelo) - ★★★★★❤︎
Fim (Fernanda Torres) - ★★★★

Deixei algumas leituras interminadas que não sei se retomarei em breve. Entrarão na lista futura de quando terminá-las, espero.

░░ Filmes ░░

Filmes eu venho fugindo rapidamente do meu atual de ver muitos de forma constante e a memória não anda ajudando a lembrar dos meus favoritos, mas citarei alguns que consegui selecionar como destaque.Aftersun (2022)
The menu (2022)
RRR (2022)
The banshees of Inisherin (2022)
Babylon (2022)
Beau is afraid (2023)
Barbie (2023)
Sorry we missed you (2019)
Delicatéssen (1991)
So long, my son (2019)
Rotting in the sun (2023)
Saltburn (2023)

░░ Podcasts ░░
Bobagens Imperdíveis (Aline Valek)
O Assunto (Natuza Nery)
Meus discos, meus drinks e nada mais (Bruno capelas)
Chutando a escada (Ep.: SOAD e o genocídio armênio) (*Filipe Mendonça e Geraldo Zahran)
Rádio Novelo

Espero, com pouca esperança, um 2024 mais preenchido.
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quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Um diabinho, um anjinho e uma humana saíram pra conversar

Os passeios que tenho com o cachorro - coisa nova da minha rotina - tem sido meus momentos de conversar com meu anjinho e diabinho que ficam sentados em cada ombro.

Na conversa de ontem à noite, eu ia confessando pra ambos:

Meus momentos muito humanos não são de vulnerabilidade, são de maldade, inveja, ódio. Sou amarga, reprimida, conservadora em muitos aspectos. Egoísta num tanto também. E sabe, não me arrependo, não quero ser diferente.

O laudo do diabinho: que orgulho da minha cria 🥹

O laudo do anjinho: ô, meu bem. Vocês humanos são todos terríveis assim mesmo.
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

amor?

Quando descobri que não conseguiria fugir mais uma vez de estar enfiada numa ambulância em direção a outra cidade, chorei. Em tão pouco tempo, tudo de novo, pra o que prometia ser pior. Chorei por mim e me senti tremendamente egoísta. Eu tava correta quando pensei que seria pior. Em estrutura, em cansaço, em espera. Mas nada me atingiu tanto quando estar mais vulnerável emocionalmente.

A primeira noite foi difícil. Noite inteira andando pelo hospital abarrotado de gente por todo o chão, pessoas feridas em graus diferentes, acalmando minha vó pros mil e um exames que ela foi submetida, em algum momento da madrugada, nos deixaram na curva de um corredor semideserto e dormimos. Ela na maca, eu enrolada no chão, fazendo minha bolsa de travesseiro. A informação que me tinha sido passada nesse momento é a de que teríamos um parecer médico pela manhã. Acordei às 5h e esperei, esperei e esperei. Quase meio dia, entre as várias pessoas que subiram e desceram aquele corredor, ninguém parava pra olhar nem de lado. E aí chorei de novo e novamente por mim. Só conseguia pensar em como mais uma vez tinha sido enfiada numa situação de merda e como tão pouco controle da minha vida eu tenho. A maior parte das pessoas que passavam me ignoravam totalmente e eu seguia chorando sem controle. Um senhor parou perto de mim e disse umas palavras que me assombraram e assombram até hoje: "(...) eu queria que algum dia algum familiar me amasse o quanto você ama sua vó..."

Em nenhum momento do meu choro ou das minhas crises de ansiedade nesse local, amor foi o sentimento que me veio em mente. Raiva, ódio, impotência, medo, sim. Amor, não.

Já em casa, não pior, mas não melhor, lidando com o acelerado estado de demência que se encontra minha vó pós o AVC, eu ainda me vejo questionando que amor é esse. Eu deveria sentir? Eu deveria ter certeza? Eu sinto minha paciência sendo forçada ao limite, eu sinto um cansaço extremo - físico, emocional, mental; eu sinto meu senso de obrigação sendo esticado ao máximo, mas não sei dizer se sinto amor.

Ontem à noite, depois de uma noite extremamente cansativa e repetitiva, chorei mais uma vez e mais uma vez, por mim.
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terça-feira, 12 de dezembro de 2023

eu falando em cansaço pela 12658ª vez no ano

Apesar dos transtornos, eu tô na fase de querer ouvir notícias e informações (calma, com limites, senão o cérebro explode). Talvez essa força que me puxa pra trás me forçando a pausar toda a minha vida por terceiros faça com que eu queira me mover de alguma forma, seja da forma que for. Meu cérebro tem procurado escapes.

Aí que tava vendo um trecho de uma entrevista com a Jout Jout e ela falava sobre o repasse da carga mental do homem para a mulher citando um exemplo que era algo assim: O homem dizia "pode deixar, amor, eu faço o café. Só me diz onde está o pó" e em seguida perguntava onde tava a cafeteira, como esquentava a água... e assim, passivamente, a mulher que não precisaria fazer o café, acaba tendo que pensar pelo homem sobre o processo de fazê-lo - e em muitos casos, acaba se estressando e passando na frente e tomando para si a ação de fazer o café.

Pra exemplificar a enorme recorrência disso na vida, meu pai hoje tava saindo e a porta ainda tava fechada. Ele olhou pra minha mãe e perguntou "como vou abrir os cadeados? Cadê a chave?". Tomei a frente pra apontar que tava na porta, ali, bem na frente dele. E fui abrir os cadeados. Fui pra cozinha pra contar essa mesma história do vídeo acima, sobre como temos uma vida de sobrecarga mental por parte de homens que todo o trabalho que precisa ter é pensar por si.

Dentre os meus privilégios (desses que deveria ser um direito nato), eu tenho o de ter tido um pai presente e atuante, mas que não fugiu nem de ser um fruto do machismo e, tampouco, de sua época.

Sei como terminar esse texto? Não sei. É só um cansaço compartilhado em palavras, pra variar.
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