𝚃𝚑𝚎 𝚗𝚊𝚖𝚎 𝚘𝚏 𝚊𝚗 𝚎𝚡𝚝𝚒𝚗𝚌𝚝 𝚜𝚝𝚊𝚛 𝚎𝚌𝚑𝚘𝚎𝚜, 𝚌𝚛𝚎𝚊𝚝𝚎𝚜 𝚠𝚒𝚝𝚑 𝚜𝚒𝚕𝚎𝚗𝚌𝚎, 𝚜𝚑𝚊𝚍𝚘𝚠, 𝚊𝚗𝚍 𝚋𝚛𝚒𝚐𝚑𝚝𝚗𝚎𝚜𝚜.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

[tag] 2026.1

Esse post faz parte da seleção mensal da comunidade de blogagem coletiva ENTREBLOGS, criada com o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. Esse é um extra de julho (Resumo do primeiro semestre).

(sobe o letreiro, fim de filme).

Os últimos anos têm sido um avalanche de emoções, mas não tanto quanto esse que chegou me derrubando já em janeiro. Eu tentei não enxergar o que o ano anunciava já na virada, tentei achar que seria um ano tranquilo, mas de janeiro a abril, com os esforços, pioras, sobrecargas e a morte do meu pai, tudo virou um borrão. 

Eu consigo pontuar coisas que consegui fazer, como leituras, mas até abril, é o máximo que consigo fazer. Porque foi na leitura que consegui um pouco de alento quando não conseguia dormir em enfermarias caóticas e cadeiras de plástico. Era a suspensão da minha mente de um lugar terrível pra outro lugar que só existia naquelas páginas e que, principalmente, não era a minha realidade.
O resto se resume a dores e sofrimentos que nem me sinto preparada pra entrar no app de fotos e explorar pra relembrar. Porque elas são o resumo de dias onde vivi no hospital, compartilhava de sofrimentos e crises de ansiedade e ansiava por uma normalidade mínima urgente.

Balanço de livros do primeiro semestre

Eu tinha colocado como meta anual 14 livros. Juntando com HQ's, já se vão 20. E são eles:

  • O perigo de estar lúcida, da Rosa Montero. Maravilhoso, fiquei desejando ler outras coisas dela. Vim do ano passado com essa sensação constante de que se meter com arte é ter os dois pés enfiados na loucura e com esse livro eu me senti validada. 
  • A empregada, da Freida McFadden e, na minha percepção, ela é a Raphael Montes "deles". Boas premissas, desenvolvimentos fracos. Não sei como não larguei a mão da Freida desde O namorado, mas eis-me aqui novamente lendo e soltando uns "pelo amor de deus, mulher". (Esse eu li logo na primeira semana de hospital em uma enfermaria muito desgraçada e acabei falando um pouco sobre aqui 
  • O avesso da pele, do Jeferson Tenório. Matador. 
  • O fantasma de Canterville, do Oscar Wilde pra cumprir minha cota de clássicos. Tô brincando. Eu não lembro em que momento em peguei a indicação desse livro como um livro de humor. Achei mediano.  
  • Abril Despedaçado, do Ismail Kadare. Esse eu tive muita vontade de ler por gostar bastante do filme. Interesse que veio ali na altura do Oscar, com filme brasileiro sendo indicado e tive vontade de expandir pro universo literário. Me peguei bastante confusa ao perceber que o livro não se passava no sertão baiano, como no filme, mas sim nas montanhas da Albânia. Prefiro o filme e ainda acho uma das melhores adaptações que já vi na vida - e isso não tem nada a ver com fidelidade, o que é um sopro muito bem-vindo. 
  • (#0.5) Rainha Charlotte, da Julia Quinn. Aqui, já tentando viver um pouco de normalidade, mesmo morando dentro do hospital com meu pai, eu acompanhei a nova temporada de Bridgerton e pra suprir as brechas e não pesar mais a cabeça, peguei os livros da Julia Quinn implorando por leveza. E fui lá pro prequel da extensa série Os Bridgertons. Já tinha visto a minissérie, gostado e achei o livro muito bonito. 
  • (#1) O Duque e eu, Julia Quinn. Comprei o box com os 9 livros, uma mini luminária de livro, ia trabalhar durante o dia e voltava à noite pro hospital, pras fraldas, observações médicas, banhos de leito, trocas de relatos, conversas silenciosas, gemidos de dores e vômitos... e minha poltrona. Amassei o livro de dormir abraçado com ele, o meu alento, o clima mais leve possível do momento. É a minha temporada favorita da série, em relação ao livro, acho que desse pro prequel é um salto de escrita. 
  • (#2) O visconde que me amava, Julia Quinn. Seguindo na fantasia acalentadora.  
  • (#3) Um perfeito Cavalheiro, Julia Quinn foi bacana de ler porque a temporada tava fresquinha na minha mente. 
  • (#4) Os segredos de Colin Bridgerton, Julia Quinn foi realmente o meu favorito porque gosto da Penelope, ainda que goste mais dela na série. Nessa fase aqui eu já estava em luto. 
  • A livraria mágica de Paris, da Nina George foi a minha tentativa de voltar a uma normalidade presencial, física. Como falei, os últimos anos foram difíceis, especialmente porque a pandemia se juntou a doenças familiares no meu isolamento social. Esse livro foi a indicação de um clube de leitura presencial que resolvi participar e, apesar de não ter gostado tanto assim da leitura, sair, encontrar pessoas, falar de coisas diferentes de doença e problemas foi um grande alívio. Grandessíssimo alívio. O livro vai por uma premissa que gosto bastante, mas se desenvolve, ao meu ver, de uma forma bastante pretensiosa. Salvei poucas coisas do que li.  
  • @mor, do Daniel Glattauer acabou sendo uma boa surpresa. Confesso que por nome e capa seria uma leitura que eu nunca faria, mas surgindo como indicação numa conversa e vindo de uma pessoa especial, eu dei chance e acabei devorando. É um livro leve, fácil, rápido de ler. Um livro que instiga a querer saber como continua, como uma boa fofoca, que faz querer acompanhar os personagens, querer saber mais da vida deles, especialmente estando você mesma em posição similar ao dos personagens com a pessoa que indicou. Enfim. Me trouxe uma boa companhia e boas reflexões. 
  • Soppy, da Philippa Rice foi meu primeiro HQ do ano e feliz com a mudança do BibliOn, o meu lugar favorito de ler HQs. Confortável, gostoso e deixa uma vontade gostosinha de se apaixonar e ter um canto pra compartilhar um amor. 
  • (#1 - #6) Made in Korea do Jeremy Holt tem uma boa premissa, especialmente em tempos de discussão de ética sobre IA, mas acho que se perdeu ao tentar abraçar o mundo fazendo uma salada de outras questões éticas. 
  • Emmi e Leo - A sétima onda, do Daniel Glattauer porque o outro lá, o @mor acabou fazendo tanto sucesso que o autor voltou pra continuar a fofocaiada e suprir nossa necessidade de um amorzinho à distância. Engoli também e terminei com saudades. 

A segunda leitura do clube do livro escolhida foi A Casa do Espíritos, da Isabel Allende, que eu já li, mas que tô animada pra reler.

Tentando seguir a vida, algumas outras coisas boas que marcaram esse primeiro semestre:

  • Clube do livro presencial;
  • Ter aberto a minha lojinha pela Penca, a Feito por Kiff. Acho um tanto emocionante ver minha marca impressa nos peitos de pessoas que gosto tanto;
  • Estar trabalhando bastante em testes e preparações pra abrir uma outra lojinha, mas focada mais em papelaria e adesivos, a priori e, de fato, produzidas por mim. Estou animada e confiante, ainda que com medo, mas encantada com as possibilidades;
  • Ter estreitado laços e conseguir me sentir amada por pessoas à minha volta;
  • Colocar a vida pra frente com pequenas reformas na casa e conseguir manter, ainda que no aperto, a casa sendo a principal provedora. 
Quem sabe, lá no balanço do fim do ano, a vida dê uma trégua e eu consiga até fazer um mosaico de fotos. Por ora, é isto. Pisa no freio, 2026.

Nenhum comentário:

Postar um comentário