Eu passei a vida inteira sendo lembrada constantemente de ser gorda. Já contei que nasci com 6kg e recebi a alcunha de “baleinha” desde o primeiro dia de vida? Pois bem, nos dias seguintes não mudou.
Foi curioso me descobrir “nem tão gorda assim”. Curioso, não, doloroso. Muitas crenças caíram por terra. E aprendi isso com outras pessoas (mais) gordas.
Descobrir que grande parte do que considerei gordofobia era, na verdade, pressão estética explodiu minha cabeça demais. Me jogou pra um limbo esquisito e demorei pra me realocar nesse local de opressão.
Hoje, quando falo de gordofobia (que não deixo de passar) falo com conhecimento de causa, mas sobretudo, com empatia por dores que eu nunca passei e me policio pra não causar dores em ninguém também.
Nunca:precisei comprar assento extra (ex.: cinema, transporte)
nem fiquei presa em ambientes que não me couberam (ex.: catracas)
quebrei assentos que não comportavam meu peso e/ou me machuquei em assentos pequenos por não caber
fui impedida de realizar algum procedimento de saúde (ex.: máquinas que não me comportavam ou remédios que não atingiam o efeito necessário impedido pelo peso)
Mas já:não encontrei roupas que coubessem ou comprei a única roupa que havia porque gordo também se veste
fui xingada na rua gratuitamente mais de uma vez
questionaram minha capacidade de trabalho, mais de uma vez
cogitei não sentar em assentos com receio de não me comportarem (cadeiras de plástico, essas malditas)
Ter papada, barriga, coxa grossa, braço grosso, etc etc não te causa opressões gordofobicas, mas pressão estética - que todo mundo (todo mundo meshmo) passa.
É tudo uma merda, eu sei. Mas believe when I say que gordofobia doi em outros lugares. Por aqui é um arranhão, tem gente que é uma facada funda que atravessa.
Não digam que doi quando não dói.
*Segundo o IMC.
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